2018: incesto eleitoral

POR JOÃO EDISOM DE SOUZA

Daqui a exatamente um ano, estaremos em pleno fechamento da campanha eleitoral para presidente da República, governadores, deputados estaduais, federais e dois senadores por estado.

 

É a macro eleição do país. Quem serão os candidatos? Quem a Justiça deixará ser candidato? Quem estará bradando aos nossos ouvidos? Que caras veremos nos cartazes e nas bandeiras dos entroncamentos e esquinas?

 

Os efeitos das constantes operações policiais, das delações premiadas, dos julgamentos em primeira e segunda instancias jurídicas, o fator familiar, que em muitos casos vão exigir que os seus se retirem da vida pública, poderão e farão um enxugamento nas chapas onde os velhos conhecidos reinavam absolutos.

 

De um lado vai ser um tal de colocar um parente submisso ao seu cajado para não perder o poder e nem o patrimônio eleitoral que será duro de aturar. Teremos filho, filha, cunhado, irmão, irmã, esposa, marido, primo, prima, chefe de gabinete, compadre… Um incesto eleitoral.

 

Do outro lado, teremos os aventureiros em busca de um lugar ao sol. Teremos gente séria, bem intencionada (poucos, é verdade) mais sem a experiência necessária para enfrentar as raposas e seus incestados candidatos. Dificilmente obterão êxito.

 

Teremos também os salvadores da pátria, que estarão discursando e vomitando honestidade no horário político gratuito, mas na verdade estão de olho nas regalias do poder e nos altos ganhos financeiros da vida pública.

 

O povo (pessoas) que tem desejo de ocupar cargos públicos (eletivos) não se prepara para tal, não estudam, não buscam conhecimentos, pouco entendem de eleição, função ou cargo público que almejam. Estes, mesmo que eleitos, uma vez no poder costumam, por falta de conhecimento, fazer o que os outros fazem ou faziam.

 

Essa dualidade não é nova, ela tem sido uma constante na nossa história. Ora perdemos para a corrupção, ora perdemos para a incompetência. Estamos em um processo de mudança, é fato.

 

Mas verdadeiras mudanças começam na sociedade, com uma educação eficiente, e isso ainda não temos. De uma sociedade sem conhecimento e sem compromisso não nascerá políticos bons.

 

Tanto que Nelson Rodrigues, na década de 60 já acostumava falar que “muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”.

 

O Brasil de 2017 e o Brasil após 2018 não tem como ser muito diferente. Não temos um povo diferente, nem eleitores diferentes para produzir políticos diferentes.

 

Mas mesmo assim haverá eleição e alguém terá que se candidatar. Afinal, como afirmava Eça de Queiroz, “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”.

 

Alguém será eleito. Quem? Para as mudanças ocorrerem ainda precisaremos melhorar o eleitorado, caso contrario o jeito é confeccionar mais tornozeleiras.

 

O Brasil de amanhã? Estará abarrotado com as velhas raposas (fora do cargo, mas não do poder) ora nos gabinetes, ora como conselheiros.

 

Bem como na música “Sob medida”, de Chico Buarque: “Eu sou seu incesto; Sou perfeita porque igualzinha a você eu não presto”.

 

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