De filhos e netos

POR EDUARDO GOMES DE ANDRADE

Caxinguelê é um esquilo da América do Sul pouco conhecido nas cidades, mas quem vive na área rural, principalmente na Amazônia ou no Centro-Oeste, geralmente o conhece muito bem. Feio, desengonçado, arisco e quase sempre enfurnado em ocos de árvores, esse bichinho tem um importante papel no equilíbrio ambiental. Sua cadeia alimentar é que lhe confere importância.

 

Além de encher o papo, costuma enterrar sementes de castanhas para o amanhã. Nem sempre as encontra e elas se reproduzem. Um simples animalzinho em seu habitat natural prestando relevante serviço ao homem…

O pequeno caxinguelê é apenas um dente da imensurável estrutura ambiental que se sustenta pela perfeita harmonia entre animais e vegetais, terra e água, ar e sol, chuva e trevas. Nós, frágeis mortais humanos precisamos mirar no exemplo desse esquilo. Devemos enterrar castanhas no melhor sentido figurado possível, em nome das futuras gerações.

A quadra da vida agora em Mato Grosso é um espaço de tempo onde há congestionamento de escândalos, onde quando se imagina que tudo relativo a um caso foi passado a limpo ele se desdobra em outros e mais outros. Como se isso não bastasse, figura envolvida até a medula no mar de lama sempre encontra justificativa perfeita para fundamentar sua entre aspas inocência.

A cada momento somos informados de novos fatos. Claro que nesse turbilhão um ou outro caso pode não ter fundamento, mas de modo geral a sujeira é generalizada no ambiente do poder político e em seus bastidores. Diante disso, a melhor atitude é a renovação absoluta da classe política de modo a exorcizar pelo voto todo detentor de mandato que buscar a reeleição ou se candidatar a outro cargo em 2018, 2020 e em 2022.

A deterioração moral nos meios políticos não é absoluta porque ainda restam exceções. Mas, em nome da assepsia necessária é preciso expurgar os corruptos e a meia dúzia que não botou a mão na massa. Não se pode correr o risco de continuidade da hiperendemia do colarinho branco que fere e humilha a cidadania.

Essa proposta será contestada por políticos e por aqueles que gravitam em seu universo levando vantagem de um ou outro modo. Mas, essa faxina, mesmo parecendo amarga, é necessária, lógica e fundamentada na razoabilidade.

 

No voto, entreguemos os cargos eletivos a estreantes na vida pública e que preferencialmente sejam jovens, bem jovens. Despertemos nosso lado caxinguelê, antes que seja tarde demais para nossos filhos e netos.

 

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