De Rondonópolis

Por Eduardo Gomes de Andrade

Árbitro, João Roleta desafiava jogadores dos clubes cuiabanos que enfrentavam a Seleção da nossa cidade no velho Luthero Lopes. Não tinha medo de aposta, afinal quem soprava o apito era ele mesmo. Também não dissimulava: torcia pelo time da casa e pronto.

Bons tempos aqueles do Roleta, quando nossa cidade era convergência. Todos com o mesmo objetivo. Tanto assim, que Antônio Estolano – homem forte da prefeitura – despachava o Bicanca para o Morro do Beroaba, pra que ele desligasse o sinal da TV algumas horas antes do começo dos jogos no Luthero. Sem televisão e numa época em que a criação da internet sequer passava perto da cabeça dos cientistas, não restava alternativa a não ser ir pra arquibancada.

Antes do Roleta, Estolano e Bicanca, o prefeito Daniel Moura lançava mão do melhor expediente que podia, na tentativa de atrair moradores pra sua pequena Rondonópolis. De próprio punho e em papel timbrado, escrevia cartas para conhecidos no Norte de Goiás, agora Tocantins, convidando-os pra sua cidade, que ele descrevia como Paraíso e com contornos muito além de sua realidade; pra reforçar, oferecia carta de aforamento de terrenos do município para construção de casas e estabelecimentos comerciais.

Hoje, a conduta do Roleta não seria politicamente correta. Estolano e Bicanca iriam pra trás das grades. Qualquer promotor em início de carreira apontaria o dedo pra Daniel por improbidade administrativa.

Cidade não é coro de anjos. Seu desenvolvimento passa por estranhos caminhos sendo que alguns precisam ser ancorados na manjada frase: Os fins justificam os meios.

O crescimento da cidade exige convergência, criatividade, ousadia, dedicação e, acima de tudo, amor ao lugar. Nada disso faltou nos 64 anos da vida institucional da nossa cidade, que começou em 10 de dezembro de 1953 com o prefeito Rosalvo Farias.

Espero que nossa cidade continue sua trajetória de crescimento. Torço pela união do nosso povo e o entendimento dos políticos. Lamento muito quando vejo a memória de um vulto igual o médico Elmo Bertinetti ter

seu nome vetado pelo prefeito Zé do Pátio para rebatizar a Rua Cafelândia.

A nossa cidade de ontem é a mesma de hoje e será a de amanhã. No passado, Bertinetti estava entre os que promoviam o desenvolvimento. Agora, que ele continue entre nós, não mais com a fragilidade do corpo humano, mas denominando uma rua que dá passagem aos seus sucessores.

Nossa cidade tem muitas lutas que precisam ser travadas de imediato e elas exigem o espírito de união de nossa gente. Pelos desafios, somos todos Roleta, Estolano, Bicanca, Rosalvo, Daniel, Bertinetti e Rondonópolis.

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