“Donas do Ar”: formatura só de pilotas de avião celebra empoderamento feminino

Astronautas, mecânicas, motoristas, jogadoras de futebol e até pilotas de avião, com o intuito de mostrar que uma mulher pode ser aquilo que ela quiser, o projeto “Donas do Ar” foi criado pela companhia aérea Avianca Brasil e tem como principal propósito levar equidade de gênero para as alturas. Todo esse esforço está surtindo efeito, tanto que na quarta-feira (11) aconteceu um momento histórico para a aviação nacional: a primeira formatura de pilotos composta exclusivamente por mulheres.


Projeto Donas do Ar busca incentivar e ajudar as meninas que sonham em ser pilotas de avião e formatura é um marco
Divulgação/Avianca

Projeto Donas do Ar busca incentivar e ajudar as meninas que sonham em ser pilotas de avião e formatura é um marco

O projeto, que ajuda mulheres que sonham em ser pilotas de avião , foi inspirado no projeto “Donas da Rua”, criado em 2016 pela Maurício de Sousa Produções. “O objetivo é mostrar para as meninas que elas podem e devem seguir o que elas querem na profissão , independentemente de estereótipos e do que a sociedade tenta impor para elas”, afirma a diretora executiva Mônica Sousa, inspiração do pai Maurício de Sousa para criar a protagonista da “Turma da Mônica”.

O “ Donas da Rua ” busca trazer à tona a história de mulheres que foram importantes na história da humanidade e evidencia o quanto as personagens de Maurício de Sousa são empoderadas. Para isso, além de um site lotado de informações, são feitas visitas em escolas para incentivar as meninas. O projeto se uniu com a Avianca para mostrar, no Dia Internacional da Mulher, que existem pilotas comandando aviões, e a parceira gerou um impacto tão positivo que cresceu, se fortaleceu e impulsionou a criação do “Donos do Ar”.

Sonho de pilotas de avião realizado

A recém-formada Tatiane Martins vê esse incentivo como fundamental, pois ela já foi a criança sonhadora que teve dúvidas se conseguiria ou não se tornar uma pilota de avião. Ela conta ao Delas que quando viu um avião pela primeira vez em Curitiba, aos 15 anos, já teve certeza de que era essa a profissão que queria seguir. “O problema é que eu era muito jovem e minha família muito simples, meu pai era professor e minha mãe não trabalhava fora. Falei empolgada com eles, mas mandaram esperar pelo menos meus 18 anos.”

Quando foi pesquisar sobre o curso, percebeu que era muito caro e, para ter condições de pagar sem deixar de ficar perto do seu sonho, resolveu fazer um curso de comissária de bordo. “Segui nessa carreira por dez anos e nesse período economizei para poder pagar todas as minhas horas de voo e todos os meus cursos. Muitas vezes escutei que mulher não é piloto, na verdade, escuto até hoje. Às vezes, eu estou no aeroporto e, principalmente as crianças, me olham e dizem: ‘nossa, é uma mulher’”, conta Tatiane.

Atualmente, a recém-formada atua como copiloto, mas está trabalhando para se tornar comandante. “Meu objetivo é evoluir cada vez mais. Lembro que a primeira vez que pilotei foi uma sensação maravilhosa, ainda não acredito que agora estou aqui e que eu consegui”, relata com entusiasmo.

Comandante experiente é inspiração


Quem fez a apresentação do evento de formatura do projeto
iG Delas/William Amorim

Quem fez a apresentação do evento de formatura do projeto “Donas do Ar” foi a jornalista Mônica Salgado

Uma mulher determinada, que foi inspiração para Tatiane, é a comandante Jaqueline Guglielmi Ramos, que já trabalha na aviação há 22 anos e, desde 2007, atua como pilota comandando voos comerciais. “É emocionante estar aqui como uma referência e espero que elas [as recém-formadas] continuem fazendo a mesma coisa, inspirando, levando conhecimento para as meninas que estão começando e não sabem como ter informação sobre essa carreira”, fala ao Delas .

Jaqueline afirma que a aviação ainda é um meio muito masculino e, para a maioria da população, ter uma mulher no comando de uma aeronave ainda é uma novidade. “É difícil para uma mulher, mas não é impossível, e o segredo é não desistir na primeira dificuldade. Claro que você vai ser questionada sobre a sua capacidade, postura, experiência, você é o tempo todo testada. Quando os passageiros estão voando e percebem que é uma mulher pilotando, eles querem ir até a cabine ver”, explica.

Para a comandante, a sociedade precisa estar aberta ao que está acontecendo. “Os homens têm esposas, filhas, irmãs e o desejo deve ser o de querer bem essas pessoas, incentivando para que elas possam ser o que quiser. Acredito que um pai, por exemplo, deve  mostrar para a filha que existem possibilidades de ser o que se deseja porque todos trabalhamos juntos. E, para as meninas, digo que é possível, sim, ser uma pilota de avião, acreditem, sempre é possível”, garante Jaqueline.

A ideia é aumentar cada vez mais o número de pilotas de avião


Pretensão da companhia aérea é ter aumento de 10% ao ano no quadro de pilotos do sexo feminino, agora elas são 5%
Divulgação/Avianca

Pretensão da companhia aérea é ter aumento de 10% ao ano no quadro de pilotos do sexo feminino, agora elas são 5%

Diante de todos os obstáculos encontrados, um evento como esse é um importante passo para as futuras gerações. Em 2016, quando assumiu a presidência da Avianca Brasil, Frederico Pedreira notou que o percentual de mulheres como pilotas de avião era muito pequeno, menos de 2%, e que dentre os inúmeros currículos que recebem, apenas 5% são de mulheres.

“Ainda é um meio dominado por homens, então são poucas as mulheres que sabem que é possível fazer uma carreira como pilota. Por isso, eventos como esse são importantes, para que mais mulheres saibam que isso é possível. Nós acreditamos que a diversidade cria valor e enriquece a empresa como um todo e sei que essas mulheres vão tornar a Avianca mais forte”, diz Pedreira, que espera que formaturas como essa deixem de ser notícia e passem a ser rotina.

A princípio, a ideia da companhia aérea era aumentar o percentual de pilotas do sexo feminino em 10%, mas perceberam que havia uma escassez de candidatas. O índice passou 2% para 5%, mas, a partir de agora, a intenção é aumentar em 10% ao ano a quantidade de mulheres como pilotas de avião da empresa. “Sinto orgulho profissional e pessoal por ser, em parte, responsável por um projeto que, para mim, tem um impacto positivo na empresa e para essas mulheres que são extraordinariamente capazes”, afirma o presidente.

Apoio para as mulheres é fundamental 


A formatura contou com um painel com a participação de Glória Maria, Mônica Sousa e outras mulheres poderosas
Divulgação/Avianca

A formatura contou com um painel com a participação de Glória Maria, Mônica Sousa e outras mulheres poderosas

Para tornar a formatura das pilotas de avião ainda mais especial, ocorreu no evento um painel que  discutiu a equidade de gênero no mercado de trabalho que contou com a participação da jornalista e apresentadora, Glória Maria, da diretora Executiva da Maurício de Sousa Produções, Mônica Sousa, da comandante da Avianca Brasil, Jaqueline Guglielmi e da diretora de RH da empresa, Patrícia Nicieza. Quem intermediou o bate-papo foi a jornalista Mônica Salgado.

O projeto “Donas do Ar” conta a assinatura do “Women’s Empowerment Principles”, da ONU Mulheres, que ajuda na promoção de treinamentos sobre o tema para colaboradores e organiza atividades e palestras com as pilotas de avião em escolas públicas quinzenalmente. Já a Avianca Brasil atua na contratação de profissionais mulheres, na disseminação do conceito e ainda arca com os custos de parte das horas de voos necessárias para a formação das pilotas em simuladores. 

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