O doutor político e o seu voto

Wilson Carlos Fuáh – É economista e especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas

Ontem pela manhã, o meu vizinho, agora chamado carinhosamente de eleitor, vendo um candidato aproximar-se da sua residência, ficou muito apreensivo e em sua cabeça veio o grande dilema: se fechava a porta ou se mandava o político entrar.

Mas o eleitor muito cansado de apanhar e ser enganado, sem nenhum diploma acadêmico, mas com a cultura da observação formada na escola da vida, pergunta como quem não quer nada: diga-me qual a sua visão periférica do Estado de Mato Grosso, faça-me entender como o Senhor Doutor Político vê este Estado, saber se o seu pensamento e o seu plano de trabalho, será igual ao que eu penso”.

O candidato com aquela cara de “lambida”, com os cabelos penteados para trás, sorriso fácil com aqueles dentes de porcelanas, e com aquela eloquência de sempre, começa a dizer:

1- Vejo um Estado carente em planejamento estratégico, uma administração ultrapassada, a máquina pesada e necessitando de uma grande reforma estrutural, quero criar novos procedimentos nas ações de governo, que estas não sejam dominadas por segmentos e por isso proponho um governo para todo e não apenas setores dominantes;

2- Vejo um Estado que perde muito tempo discutindo apenas a logística de escoamento de produção primária e se vangloriando de ser um Estado que mais contribui para o crescimento da balança comercial do país, mas que na verdade o poder central da nação apenas gera expectativa de um dia devolver os recursos através da Lei Kandir (hoje já ultrapassa de 5 bi), e a isenção do ICMS dos produtos para exportações, é muito bom para o produtor minimiza o custo da comercialização e centralização de riqueza, mas é ruim para o povo, pois essa enorme receita não arrecadada fazem muita falta nos investimentos na saúde, educação, infraestrutura e segurança pública;

3– Vejo um Estado que não está preocupado com a população carente, que são os que mais dependem da política social de governo, o Estado tem que desenvolver uma política fiscal para as atividades geradoras de emprego e renda possa ser implantadas, fomentando industrialização nos polos de desenvolvimento do estado. O poder estatal não pode ser apenas um distribuidor de incentivos para aumento da população carente, como se fosse um poder esmoleiro distribuindo migalhas, copiando a filosofia do governo federal de perpetuar no poder através da compra de votos, através de bolsas e mais bolsas;

4– Enfim, vejo um Estado que precisa um grande líder, com a visão de estadista e com obrigação de planejar estado para os 20 anos vindouros e não somente para as próximas eleições;

Será que essa é resposta que esse cidadão comum, que forma a massa humana que é humilhada nas filas dos hospitais, que é transportada nos ônibus coletivos como se fossem animais, que veem os seus filhos sem poder estudar porque o governo vive eternamente pagando salários indignos para os professores e estes especializaram em paralisação, pois durante as eleições também não sabem escolher um representante da categoria.

E assim, a banda podre continua a comandar o estado e o país, formado pelos políticos ultrapassados, desonestos e arcaicos, mas legitimados pelo seu voto. Por isso, a política continua por muito tempo a ser liderada e comandada para aumentar a riquezas individuais de pessoas que compõem os grupos poderosos, e os trabalhadores ficam apenas a ouvir promessas e acreditando nas palavras do Doutor Político.

Saiba que ao eleger um candidato, você estará passando a sua procuração ao político escolhido, para lhe representar por 04 longos anos no legislativo e no executivo deste Estado de Mato Grosso e do país, e depois não adianta reclamar, pois você passará a ser cúmplice dos atos que esses políticos venham a praticar, por isso, pense muito antes de decidir, saiba escolher ou usar o método de exclusão, extirpando da vida pública, aqueles que estejam incluídos em investigações ou condenações por prática de atos desonestos e ilícitos, e que nesta eleição, os eleitores tenham o poder de fazer a limpeza geral da podridão que reina no mundo político do estado e do país.

* WILSON CARLOS FUÁ é economista, especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais Políticas

wilsonfua@gmail.com

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