Porsche Panamera Turbo: aceleramos o intrépido sedã familiar de 550 cv


Porsche Panamera Turbo: baixo, o modelo sofre com o piso irregular das ruas brasileiras
Cauê Lira/iG

Porsche Panamera Turbo: baixo, o modelo sofre com o piso irregular das ruas brasileiras

O Porsche Panamera 2019 é um exagero em todos os sentidos. Sua vertente convencional, de 330 cv, já demonstra todo o vigor físico de um atleta em forma. Pisando com vontade no pedal do acelerador, o sedã familiar ultraluxuoso poderá chegar aos 100 km/h em 5,7 segundos. O modelo híbrido que já passou por nossa redação, por sua vez, mostra um futuro brilhante sobre o mundo eletrificado que nos aguarda.

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Mas e se você precisar de mais? Por que ter um Panamera e um 911 se a Porsche lhe oferece a oportunidade de ter o “dois em um”? Pensando em um tipo mais extremo de cliente, a marca alemã de Stuttgart preparou o Porsche Panamera 2019 Turbo; o sedã familiar com desempenho de supercarro.

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Ao primeiro vislumbre, o Panamera brilha no estacionamento da sede da Porsche, em São Paulo. Gigantesco, suas extremidades ocupavam parte das vagas ao lado. Ele tem 1,93 metro de largura, sendo equiparável com o grande Kia Carnival, que é uma van. Baixo e afiado, sua carroceria parece esparramar ainda mais no solo, deixando o Panamera com a imponência de um sedã de luxo.

A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi a complicação de se ter um sedã desse porte em uma cidade como São Paulo. O modelo híbrido, que mantém as proporções, havia exigido um cuidado especial por parte de nossa redação. Ele não cabia na vaga que utilizamos, exigindo que pagássemos outro estacionamento. Dessa vez, estava preparado.

Mas o Panamera não transforma a sua experiência em um mar de preocupações. O sensor de estacionamento é preciso, detectando até obstáculos laterais. Enquanto o motorista estiver manobrando, câmeras 360° também podem dar toda a assistência para facilitar a vida. Sem muito esforço, tiro o titã de duas toneladas de sua vaga.

É preciso abrir bastante as curvas mais estreitas, para que a barca possa passar sem complicações. Há uma otimização de espaço diferente por aqui em relação às grandes avenidas alemãs. Em São Paulo, tudo é estreito, mesmo nas áreas mais nobres da cidade. Portanto, esteja preparado para fazer correções constantes das faixas de sinalização. Se você estiver na faixa da esquerda, onde há a via dos motociclistas, eles irão buzinar constantemente, exigindo que abra espaço para algum lugar inexistente ao seu lado.

O sensor de proximidade, por outro lado, é muito inteligente. Ele só fará uma advertência sonora quando algum motociclista ou pedestre passar muito perto do Panamera. Não há nada mais irritante em um carro desse porte que um sensor que passa mais tempo apitando no ouvido do motorista que desligado. Ponto para a elegância deste alemão.

Preso no trânsito da zona sul, começo a reparar em como o Panamera é demasiado luxuoso. O cluster é 100% digital, contando com um grande conta-giros analógico. “Você nunca verá um conta-giros digital em um carro da Porsche. Faz parte do nosso DNA que essa peça seja analógica”, contou o gerente de comunicação da marca, enquanto fazia a entrega-técnica. Outro detalhe que está nos genes da Porsche é o miolo da chave, que está localizado à esquerda do motorista. É uma herança antiga das primeiras corridas de Le Mans, onde os engenheiros da marca descobriram que o piloto ganharia tempo ligando o carro com uma mão e engatando a primeira marcha com a outra.

O console central tem uma grande tela com superfície em imitação de vidro. Faz o Panamera parecer ainda mais um palácio, contrastando muito bem com o acabamento bege. A central multimídia tem 12 polegadas, e conta com todas as funcionalidades de mídia, navegação e configurações do veículo. Em uma lista de desejos, colocaria uma segunda tela na parte de comandos do ar-condicionado, a exemplo do que a Land Rover mostrou no SUV de luxo Velar.

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O ar-condicionado tem quatro zonas, sendo duas para os ocupantes do banco dianteiro e outras duas para quem vai atrás. Estes terão a verdadeira experiência de um marajá. Os assentos separados são mega-confortáveis, e abraçam bem as costas dos passageiros. É possível adquirir duas telas de encosto, como uma expansão da central multimídia. Se eu fosse um sheik e tivesse um jatinho particular, faria a mesma disposição em minhas acomodações.

Este não é um carro de corrida, mas poderia muito bem ser. Com o trânsito livre, faço as primeiras provocações ao motor 4.0 V8. A resposta não poderia ser menos que uma violenta tijolada, enquanto as costas grudam ainda mais nos belos bancos revestidos de couro premium. O Panamera Turbo tem brutais 550 cv de potência a 5.750 rpm. Não imagino como ele seria, caso essa entrega acontecesse em giros menores. É um exagero que fará o seu almoço grudar nas costas.

A ciência por trás do Panamera


Porsche Panamera Turbo passa um caráter exclusivo e inigualável. Briga com BMW M6 Gran Coupé e Mercedes AMG GT4
Cauê Lira/iG

Porsche Panamera Turbo passa um caráter exclusivo e inigualável. Briga com BMW M6 Gran Coupé e Mercedes AMG GT4

Meu cérebro ainda processava o primeiro solavanco que este gigante alemão de 1.995 kg é capaz de proporcionar. A última vez que havia sentido algo assim foi durante uma decolagem no Aeroporto de Congonhas. Neste ponto, todos os elogios partem para a transmissão automática de oito velocidades. O Panamera consegue saltar da oitava marcha para a segunda em piscar de olhos, entregando 78,5 kgfm de torque de forma abrupta. Como a própria marca brinca em seu site oficial, um motor potente só faz sentido se souber o que fazer com ele.

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As seis primeiras marchas foram programadas para uma tocada esportiva. As duas últimas foram escalonadas de forma mais longa, a fim de proporcionar um trajeto mais tranquilo em baixas rotações. Dessa forma, o Inmetro diz que o Panamera Turbo é capaz de aferir 9,6 km/l na estrada. Bom número, considerando um motor 4.0 V8 que puxa quase duas toneladas.

O que é bom pode ficar melhor em 2019. A Porsche ainda está homologando o sistema InnoDrive para o Panamera no Brasil – apesar dele já aparecer curiosamente no site da marca. É um sistema assistente ao controle de cruzeiro adaptativo. O Panamera utiliza todos os seus radares, sensores e até mesmo o GPS para traçar a velocidade correta. Dessa forma, sua aceleração é 100% autônoma, uma vez que o sistema de gerenciamento decidirá qual a melhor velocidade para se fazer uma curva em segurança, por exemplo.

Mesmo sem o InnoDrive, a experiência é cara. O Porsche Panamera Turbo 2019 não sai por menos de R$ 980 mil da concessionária. Nesta categoria, ele é o único modelo que pode ser adquirido no Brasil, desde que o Aston Martin Rapide deixou o País. Mas também vale dar uma olhada no BMW M6 Gran Coupe . Ele é mais potente que o Porsche (com 560 cv de potência), mas o Panamera continua andando mais. Basta aguardar a chegada de outro rival, o  Mercedes-AMG GT4, para tirar todas as conclusões.

Ficha Técnica:
Preço: R$ 980.000
Motor: V8 , 4.0
Potência: 550 cv
Torque: 78,5 kgfm
Transmissão: Sequencial de oito velocidades
Suspensão: adaptável, a ar
Freios: Discos de cerâmica
Dimensões: 5,04 m (comprimento) / 1,93 m (largura) / 1,22 m (altura)
Tanque : 90 litros
Consumo: 6,5 km/l na cidade / 9,6 km/l na estrada
Até 0 a 100 km/h: 3,8 s
Vel. Max: 269 km/h

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