Raio-X da Copa: Tite é quem menos mudou o time; incerteza marcou fracasso alemão


Tite dando instruções para a seleção brasileira contra a Costa Rica; técnico está entre aqueles que menos mudaram time
André Mourão / MoWA Press

Tite dando instruções para a seleção brasileira contra a Costa Rica; técnico está entre aqueles que menos mudaram time

Em time que está ganhando não se mexe. Nesta Copa do Mundo, o ditado popular foi seguido à risca pelo técnico Tite na seleção brasileira. Entre todas as 32 equipes que disputaram a fase de grupos do Mundial, o Brasil foi aquela que menos mudou seu time titular entre uma partida e outra: foi apenas uma modificação nos três jogos da fase de grupos.

Leia também: iG escala seleção da fase de grupos da Copa com 2 jogadores do Brasil; confira

As seleções do México, da Suécia e da Austrália também mexeram apenas uma vez em suas equipes titulares, mas, no caso brasileiro, a solitária alteração ocorreu apenas por motivos médicos. O lateral direito Danilo, titular na estreia da seleção brasileira , precisou deixar o time nos jogos seguintes devido a uma lesão no quadril, dando lugar a Fagner.

O técnico Tite explicou após a vitória por 2 a 0 contra a Sérvia que a manutenção do mesmo time faz parte do seu método de trabalho. “Tem gente que gosta de rodar o time, mas eu não consigo trabalhar assim. Tenho que ter o mínimo de tempo hábil para a construção de uma equipe, de fortalecimento. Esse time já vinha em uma preparação antes da Copa. Aqui, apressa-se etapas, mas não pula-se etapas”, explicou.

Enquanto o treinador brasileiro manteve suas convicções – apesar das críticas ao desempenho de jogadores como Willian e Gabriel Jesus –, outros se mostraram bem mais inquietos durante a fase de grupos da Copa.

Leia também: Qual o gol mais bonito da Copa até agora? Relembre e vote no seu favorito

Muitas trocas e pouca mudança


Marcos Reus lamenta, enquanto sul-coreanos comemoram ao fundo
Divulgação/Fifa

Marcos Reus lamenta, enquanto sul-coreanos comemoram ao fundo

Entre as seleções que mais trocaram peças, é possível identificar claramente dois grupos: equipes que chegaram à última rodada classificadas e decidiram poupar seus atletas (casos de Croácia, Inglaterra, Bélgica e França), e aquelas que tentavam encontrar soluções para deficiências percebidas ao longo do Mundial.

É nesse segundo caso que se enquadra a seleção da Polônia. A equipe europeia foi a primeira cabeça de chave eliminada da Copa após desempenhos ruins e derrotas para Senegal e Colômbia nas duas rodadas iniciais. Após perder na estreia, o técnico Adam Nawalka decidiu trocar quatro jogadores para a partida seguinte. Perdeu de novo e promoveu mais seis mudanças para a partida final, que desta vez terminou com vitória polonesa sobre o Japão.

Logo atrás da Polônia nesse quesito aparece a atual campeã mundial, a Alemanha , que deu vexame histórico ao não conseguir a classificação para as oitavas de final. O técnico Joaquim Löw sacou quatro jogadores do time titular após a derrota na estreia para o México. E, mesmo após a sofrida vitória frente à Suécia, o treinador alemão seguiu insatisfeito e fez mais cinco mudanças para o jogo final – que terminou em derrota por 2 a 0 para a Coreia do Sul.

“Löw chegou à Copa com um time na cabeça, mas logo na estreia deu tudo errado. E isso foi determinante para o fracasso. Os experientes Özil e Khedira, por exemplo, foram titulares no primeiro jogo e sacados para o segundo. Mas, de novo, o time não rendeu sem eles. Meio perdido, o técnico retornou com ambos para pegar a Coreia e o resto da história a gente conhece. Além dessa indecisão na montagem da equipe, as lesões também atrapalharam. Fica para 2020”, avaliou o editor do iG Esporte e criador do maior site sobre futebol alemão em língua portuguesa (Alemanha FC), Mário André Monteiro.

Quem também penou a encontrar sua formação ideal foi Jorge Sampaoli, técnico da Argentina. A seleção mudou o sistema de jogo após o decepcionante empate contra a Islândia na estreia e foi para a partida seguinte com uma formação com três zagueiros. Não funcionou: os argentinos foram atropelados pela Croácia, que venceu por 3 a 0.

A moral de Sampaoli com a equipe ruiu de vez após essa derrota e, segundo a impresa argentina, os próprios jogadores definiram entre si qual seria a equipe titular do jogo seguinte, a dramática vitória sobre a Nigéria, por 2 a 1.

Leia também: Veja como ficaram os confrontos das oitavas de final da Copa do Mundo

Três jogos, três goleiros

Se Sampaoli, Nawalka e Löw trocaram jogadores buscando tornar suas equipes mais competitivas, outros técnicos adotaram do mesmo expediente de maneira um pouco mais inusitada.

Na Arábia Saudita, o técnico Juan Antonio Pizzi decidiu tirar da equipe titular o goleiro Abdullah após ele sofrer cinco gols na abertura da Copa, contra a Rússia. Só que o substituto, Alowais, falhou na partida seguinte, contra o Uruguai. Já eliminados para a rodada final, os sauditas foram para o jogo de despedida com o terceiro goleiro embaixo das traves. E ele deu mais sorte: com Almosailem, a equipe venceu o Egito, por 2 a 1.

A inusitada situação de três goleiros diferentes atuarem pela mesma seleção em apenas três jogos na Copa do Mundo se repetiu com a Tunísia. Só que, no caso dos norte-africanos, a mudança foi resultado do azar. O goleiro titular se machucou na estreia da equipe, e o reserva se lesionou em um treino antes do terceiro jogo.

Leia também: Copa do Mundo tem grandes chances de ter uma final inédita

Veja abaixo quantas trocas de jogadores cada seleção fez entre uma partida e outra:

10 mudanças – Polônia (4 para a segunda e mais 6 para a terceira)
10 mudanças – Croácia (1 para a segunda e mais 9 para a terceira)*

9 mudanças – Inglaterra (1 para a segunda e mais 8 para a terceira)*
9 mudanças – Bélgica (nenhuma para a segunda e 9 para a terceira)*
9 mudanças – Alemanha (4 para a segunda e mais 5 para a terceira)

8 mudanças – Tunísia (2 para a segunda e mais 6 para a terceira)
8 mudanças – França (2 para a segunda e mais 8 para a terceira)*
8 mudanças – Coreia do Sul (4 para a segunda e mais 4 para a terceira)
8 mudanças – Argentina (3 para a segunda e mais 5 para a terceira)

7 mudanças – Arábia Saudita (4 para a segunda e mais 3 para a terceira)

6 mudanças – Japão (nenhuma para a segunda e 6 para a terceira)
6 mudanças – Islândia (2 para a segunda e mais 4 para a terceira)
6 mudanças – Colômbia (4 para a segunda e mais 2 para a terceira)

5 mudanças – Rússia (2 para a segunda e mais 3 para a terceira)*
5 mudanças – Uruguai (2 para a segunda e mais 3 para a terceira)

4 mudanças – Sérvia (1 para a segunda e mais 3 para a terceira)
4 mudanças – Senegal (1 para a segunda e mais 3 para a terceira)
4 mudanças – Peru (2 para a segunda e mais 2 para a terceira)
4 mudanças – Panamá (nenhuma para a segunda e 4 para a terceira)
4 mudanças – Marrocos (3 para a segunda e mais 1 para a terceira)
4 mudanças – Irã (3 para a segunda e mais 1 para a terceira)
4 mudanças – Dinamarca (1 para a segunda e mais 3 para a terceira)
4 mudanças – Costa Rica (1 para a segunda e mais 3 para a terceira)
4 mudanças – Portugal (1 para a segunda e mais 3 para a terceira)

3 mudanças – Nigéria (3 para a segunda e nenhuma para a terceira)
3 mudanças – Espanha (2 para a segunda e mais 1 para a terceira)
3 mudanças – Egito (2 para a segunda e mais 1 para a terceira)

2 mudanças – Suíça (nenhuma para a segunda e 2 para a terceira)

1 mudança – Suécia (nenhuma para a segunda e 1 para a terceira)
1 mudança – México (1 para a segunda e nenhuma para a terceira)
1 mudança – Seleção Brasileira (1 para a segunda e nenhuma para a terceira)
1 mudança – Austrália (nenhuma para a segunda e 1 para a terceira)

*Seleções que pouparam atletas para a fase seguinte da Copa do Mundo

Comentários Facebook