“Reformas deveriam ter sido feitas há 20 anos”, defende economista da Rede


André Lara Resende apresenta propostas para a Economia da Rede nesta sexta-feira (10)
Brasil Ecoômico/Breno França

André Lara Resende apresenta propostas para a Economia da Rede nesta sexta-feira (10)

Romper o pacto do presidencialismo de coalização para fazer as reformas estruturais que o Brasil precisa. Essa é a principal proposta apresentada pelo economista André Lara Resende, um dos colaboradores da equipe econômica da Rede Sustentabilidade que lança a candidata Marina Silva à Presidência da República nas eleições 2018.

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O evento realizado na manhã desta sexta-feira (10) é o segundo de uma série de oito sabatinas chamada de “Os economistas das eleições” promovida pelo Estadão e pela FGV/Ibre que o Brasil Econômico vai acompanhar de perto. Nela, os líderes das equipes econômicas de cada uma das oito principais campanhas presidenciais terão a oportunidade de apresentar suas propostas para a economia .

Na sua fala inicial de quinze minutos, André Lara Resende usou o tempo disponível para defender a agenda de reformas que, segundo ele, já deveriam ter sido feitas há vinte anos. “Parece ser unanimidade hoje, mas o diagnóstico de que o Brasil precisa de reformas estruturais já tinha sido feito por nós em 1998”, afirmou o economista que é um dos formuladores do Plano Real.

Até por isso, ele que também foi diretor do Banco Central em 1985 durante o governo de José Sarney; negociador da dívida externa em 1993, durante o governo Itamar Franco; e presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 1998, durante o governo FHC, bateu forte nos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luis Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Resende, ambos os ex-presidentes tiveram a oportunidade de fazer as reformas econômicas que o País precisava em momentos de crescimento econômico, mas preferiram se aliar ao sistema político: “pensei que conseguiria fazer isso no segundo mandato do FHC, mas não fomos ouvidos e não conseguimos; depois o Brasil teve um enorme presente no começo do século XXI, mas Lula, mesmo beneficiado por um cenário externo extremamente favorável, fez ainda pior: institucionalizou a corrupção no País”, disse.

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Agora, segundo Resende, o Brasil terá que fazer essas reformas de um jeito ou de outro sobre o risco de entrar em um “colapso econômico”. Para isso, o economista repete o discurso de sua candidata e afirma que é necessário uma ruptura com o atual sistema para conseguir vencer as forças patrimonialistas e corporativistas que “sequestram a renda” em benefício próprio.

O economista explica que o Congresso Nacional atua em benefício próprio e que os candidatos que fazem alianças com essas forças realizam um pacto tecnocrático. “Esse pacto não é exclusividade brasileira, tem no mundo inteiro. Nele, os representantes eleitos se unem aos tecnocratas e tudo que não é absolutamente fundamental para o funcionamento do Estado é utilizado para atender aos interesses dos representantes”, explicou.

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Resende, porém, foi ainda mais longe e afirmou que essas forças funcionam como um cupim que age por dentro do Estado e o paraliza em determinado momento. Para ele, “instituições não-eleitas como o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal (STF) deveriam servir para impedir que essas forças paralizassem o estado e sequestrassem a renda dos brasileiros, mas percebemos que elas estão politizadas”.

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