Regras não escritas do capitalismo

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político

Vídeo de uma palestra de um diretor da Embrapa sobre preservação de terras no Brasil mostra que, em síntese, 631 milhões de hectares ou 66% do território nacional estão protegidos. Área do tamanho de 48 países europeus.

Ele dá ênfase ainda, assunto já publicado nesta coluna, ao levantamento da NASA que mostra que o Brasil usa 7.6% do território para agricultura. A Embrapa encontrou 7.8%.

O palestrante apresentou um estudo dos EUA que detalha que, nos próximos 30 anos, o mercado agropecuário no mundo aumentaria em 40 bilhões de dólares. Que, enfatiza o documento norte americano, os EUA tem que ganhar a maior parte dessa expansão e que o único competidor seria o Brasil.

Para ajudar nisso o documento pede ao governo de lá que, ao invés de dar subsídio agrícola ao setor do milho, municiem Ongs para perturbar a produção brasileira no campo. Assim funciona o capitalismo norte americano.

Um pouco dessa história. Lá, internamente, houve enorme concentração de riqueza e monopólio no século 19. É só lembrar de Nelson Rockfefeller no petróleo, Cornelius Vanderbilt nas ferrovias e Andrew Carnegie no aço. O país estava sendo sufocado pelo crescente monopólio.

Em 1890 veio a Lei Shermam que proibia essa concentração que estava impedindo a competição e o crescimento econômico do país. Mas a lei só vale internamente. No exterior, os norte-americanos atuam de forma predatória e, se possível, monopolista. Na área agrícola eles não dão trégua e nem estendem a mão a ninguém.

Exemplos? Técnicos norte-americanos, anos atrás, fizeram estudos sobre o cerrado brasileiro. Alguém conhece esse estudo? Comenta-se que os japoneses é que ajudaram a Embrapa a desenvolver o cerrado. Os japoneses não queriam ficar dependentes dos EUA em comida como ficaram antes da Segunda Guerra Mundial. Norte-americanos não ajudam ninguém nessa (ou outra) área da economia.

Contam que a soja começou realmente o plantio produtivo no Brasil quando um pastor evangélico norte-americano, Albert Lehenbauer, que viveu em Santa Rosa entre 1915-1937, numa viagem aos EUA em 1923, trouxe, às escondidas numa garrafa, semente especial de soja que distribuiu no sul do país. É considerado quase um traidor.

Hoje tem milhares de imigrantes da América Central querendo entrar nos EUA. Aquela região está sob domínio norte-americano por mais de um século. Tomaram conta da agricultura local com a United Fruit Company ou La Frutera explorando a produção de banana (daí Banana República), abacaxi e outros itens dos trópicos. Punham e depunham governantes.

Nunca ensinaram ninguém a plantar nada. Eles dão o peixe através de ajuda filantrópica, nunca ensinam a pescar. Se usassem seus conhecimentos técnicos para ajudar aquela região a plantar isso ou aquilo teria desenvolvido a área e não teriam os problemas que estão tendo agora.

Governo norte-americano que ajudar agricultura no exterior perde voto das regiões do agro. É um capitalismo selvagem no exterior. Mato Grosso que se cuide. Quem sabe deve aparecer Ongs para tentar aumentar as áreas de preservação.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é analista político.

Comentários Facebook