2010: o ano que não terminou

Por Sérgio Cintra
Ainda pululam em nossas mentes o ano de 2010, porque as decisões, as escolhas e as consequências ainda ecoam em nós. Um prefeito que renunciou ao mandato para tentar ser governador; um candidato desconhecido e com pouquíssima capacidade de gerenciamento que virou governador e, agora, paga enclausurado pelos desmandos cometidos.

A sociedade mato-grossense vivera, à época, uma espécie de transe político-eleitoral. Era necessário desconstruir um para que outro emergisse como a besta-fera de sete cabeças e dez chifres do Apocalipse.

As agruras pelas quais todos passamos em Mato Grosso nasceram de ações premeditadas do governo de Silval Barbosa e de seus asseclas do PMDB. Não é necessário enumerá-las (ainda que conseguíssemos), pois, a cada segundo, elas nos agridem nos sites e jornais. Que as ratazanas dilapidavam o patrimônio público era notório, mas o que causou estranheza foi o silêncio descomunal nas demais esferas do poder, inclusive de alguns que pleiteiam o Alencastro.

Como quase nada se podia falar do político Wilson Santos, a desconstrução do professor e do homem Wilson Santos não só foi muitíssimo bem arquitetada, como de crueldade sem limites. Mesmo assim, insuficientes para aniquilar o “Galinho”.

Cuiabá conheceu Chico Mendes porque o vereador WS inquiriu, com dezenas de faixas, quem o matara. Antes do Brasil, Mato Grosso foi agraciado com a lei do deputado Wilson que tornava obrigatório o uso do cinto de segurança (quantas vidas foram poupadas…).

A lei que tipifica como crime hediondo os crimes praticados contra a administração pública em detrimento dos direitos sociais e constitucionais, do deputado federal Wilson Santos, proposta em 2004(PL 3760) e ainda tramitando, caso já tivesse sido aprovada, talvez muito dos descalabros contra o bem público, não só nas terras de Rondon; mas também em todo o país, pudessem ter sido evitados.

Já o prefeito Wilson encontrou três meses de salários atrasados e servidores sem reajustes fazia anos. Pior, ser servidor público municipal era sinônimo de descrédito e de vergonha. Santos recuperou a autoestima dos servidores reajustando e colocando os salários em dia.

Criou os mutirões e participou em todos, dialogando com as comunidades. Implantou o Cuiabá Vest levando milhares de pessoas com baixo poder aquisitivo a cursar uma faculdade pública. Criou o “Peladão” promovendo a valorização e integração do futebol amador.

Fez e ETA Tijucal e a Av. das Torres. Tem muito mais, mas o espaço é insuficiente. Claro que não foi a melhor gestão do mundo; mas, com toda a certeza, foram mais acertos que erros. Daí a transformar Wilson em vilão, em mau caráter e mentiroso é inconcebível, a não ser que forças (nem tão) ocultas tivessem outros interesses que não os dos cuiabanos. E o governo Silval mostrou que tinham.

Talvez, por tanto de ingenuidade e outro de inexperiência, tenhamos sonhado com a Cuiabá república de professores loucos pra transformar a Cidade Verde em Cidade Verde Cidadã e por isso “Foi o melhor dos tempos, / foi o pior dos tempos, / foi a idade da sabedoria, / foi a idade da tolice, / foi a época da fé, / foi a época da incredulidade, / foi a estação da luz, / foi a estação das trevas, / foi a primavera da esperança, / foi o inverno do desespero / tínhamos tudo diante de nós e não tínhamos nada diante de nós.” (Charles Dickens).

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