Abandonou não, Wilson fugiu!

Por Alexandre Aprá

Artigo assinado pelo sempre bem antenado advogado Eduardo Mahon tenta negar o óbvio: o abandono do ex-prefeito Wilson Santos (PSDB) à cidade de Cuiabá para se aventurar na disputa eleitoral de 2010, quando perdeu a eleição para Silval Barbosa.

Mas, o exercício de negar o óbvio não é uma tarefa muito fácil. Wilson deixou a Prefeitura dois anos após reeleito para seu segundo para se aventurar numa disputa eleitoral de governador.

Mas o ex-prefeito, sem perceber, já havia sido vencido por seu pior algoz: a reeleição.

Para se reeleger em 2008, na disputa à Prefeitura, Wilson lançou mão de todos os recursos que lhe cabiam. Loteou a Prefeitura entre seus apoiadores: partidos e igrejas, principalmente as pentecostais.

Wilson já começava ali sua tentativa de perpetuação no poder, da mesma forma que Lula e Dilma fizeram lá no Palácio da Alvorada, como citado no artigo de Mahon.

O resultado, em dois anos, não poderia ser diferente: uma Prefeitura inchada que virou cabide de emprego para seu grupo político que havia garantido sua reeleição e lhe amargou profunda reprovação antes mesmo do início do processo eleitoral de 2010.

Depois, ao perder as eleições de 2010, ficou quase que impedido de sair às ruas, com medo da reprovação popular que lhe assolava. Todos queriam ver o capeta, menos Wilson Santos.

E não foi só a Prefeitura que foi abandonada na metade da gestão e deixada nas mãos do vice.

Prova disso é que Wilson, pouco tempo depois daquele pleito, se mudou do País, sob o argumento de que estava concluindo estudos em Portugal.

Abandonou a cidade e o Estado pela reprovação popular, sim. Embora negue.

Na época, o chá de sumiço que o tucano tomou fez com que fosse quase impossível sequer encontra-lo por telefone, mensagem ou qualquer outro meio.

Nessa mesma época em que Wilson se escondia no estrangeiro, o hoje tão criticado Silval Barbosa fez exatamente o que Wilson não fez em oito anos: foi prefeito de Cuiabá. Mesmo sendo o governador.

E certamente a história colocará Silval na posição de grande estadista em razão das obras executadas que seriam, em tese, atribuição da Prefeitura.

As obras não inocentam Silval. Mas o que ele ou alguém da gestão fez de errado já está sendo apurado devidamente pela Justiça e pelos órgãos competentes.

Sinal de que os órgãos constituídos em Mato Grosso são fortes e funcionam mesmo.

Mas, convenhamos: nenhum processo – nem sua prisão cautelar – vai desfazer o que Silval fez por Cuiabá.

Enquanto Silval tocava, ao todo, 32 obras de mobilidade urbana na Capital, Wilson curtia o ostracismo e a reprovação popular no continente europeu.

Alguém se lembra dos congestionamentos quilométricos nas rotatórias da Miguel Sutil com a avenida dos Trabalhadores e Jurumirim? Não existem mais, graças às trincheiras tocadas e levadas a cabo pela gestão Silval Barbosa.

Não dá para comparar todo o legado das obras de Silval com a avenida das Torres, por exemplo, única grande obra inaugurada pelo ex-prefeito tucano que, por sinal, demorou oito anos para entregar a avenida de 12 quilômetros de extensão.

Sobre fiscalização? Outra balela.

Basta jogar no Google!

Na Assembleia Legislativa, a bancada do partido de Wilson, o PSDB, não fez outra coisa a não ser apoiar a administração Silval Barbosa.

Basta relembrar que os deputados tucanos Guilherme Maluf e Carlos Avalone permaneceram num silêncio retumbante durante os cinco anos de administração peemedebista, votando com o governo na grande maioria das mensagens.

Maluf, por sinal, chegou a participar das articulações para que o VLT, um modal de transporte mais moderno e que atende melhor à população, fosse construído em substituição ao ultrapassado BRT.

Por que Wilson, que posa de representante da cuiabania, não esteve por aqui cobrando o candidato que havia lhe derrotado e só agora, pescado aos 45 minutos do segundo tempo por seu grupo político para o ser candidato a prefeito, tenta atribuir a Emanuel os desgastes de Silval?

Tentar colar a imagem de Silval em Emanuel é uma coisa tão sentido que só vai reforçar ainda mais o que todo cuiabano já sabe: o quão incompetente foi a administração municipal de Wilson Santos.

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