Apreensões e prisões da DRE sobem no combate ao tráfico de drogas em 2016

Com o número mais alto de apreensões, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polícia Judiciária Civil, registrou o maior volume de drogas apreendidas desde a sua reativação, em 2009, e alcançou uma quantidade inédita de prisões por tráfico de drogas.

Mesmo atuando com o efetivo menor que nos anos anteriores, a delegacia mostrou que através de gerenciamento e comprometimento é possível conseguir bons resultados no combate ao narcotráfico.

Até o final de novembro, em investigações desenvolvidas pela Delegacia foram retirados  do mercado ilícito um total de 1.040 quilos de entorpecentes (988 kg de maconha e 52 kg cocaína). Contabilizando junto as apreensões feitas pela Polícia Militar e outras unidades da Polícia Civil, soma-se 3.108 quilos de drogas, que deixaram de ser comercializadas, especialmente, na região metropolitana, onde aconteceram a maioria das apreensões.

Em 2015, as duas instituições retiraram de circulação na Grande Cuiabá 1.867 quilos de drogas (1.454 de maconha e 413 de cocaína).  Assim como no ano anterior, o  destaque em 2016 foram as apreensões de maconha feitas pela DRE e também outras unidades da Segurança Pública, como a PM. Foram 3.004 kg de maconha e 104 kg de cocaína.

Em duas das ações da DRE, em 10 dias, 502 tabletes de maconha foram apreendidos, totalizando 350 quilos da substância. No dia 16 de agosto, seis pessoas foram presas após serem flagradas com 202 tabletes da droga em uma residência no bairro Nova Conquista em Cuiabá. Nove dias depois (25.08), 300 tabletes foram encontrados dentro da cabine de uma carreta Mercedes Bens, na BR 364.

O número de prisões efetuadas pela DRE (flagrantes e mandados de prisão) pulou de 69 em 2015 para  145 em 2016, sendo o maior considerando as estatísticas da DRE, desde 2009. A quantidade de flagrantes subiu de 35 para 57.

Fora as prisões, resultado de investigações e flagrantes oriundos de denúncias apuradas, a Delegacia de Entorpecente recepcionou dos plantões de Cuiabá e Várzea Grande dezenas de outras prisões de traficantes, que somadas atingiram o volume de 813 pessoas presas em ações policiais desenvolvidas pela Polícia Militar e a Polícia Civil, das quais foram indiciados 674 homens e 139 mulheres envolvidas com o comércio de drogas.

Para o delegado titular da DRE, Juliano Silva de Carvalho, os números demonstram o potencial das investigações desenvolvidas pela equipe da DRE, a integração entre policiais civis e militares, e o comprometimento no combate ao tráfico. “Nada disso seria possível, sem a dedicação dos policiais que deixaram os seus lares, o convívio com as suas famílias, muitas vezes, à noite, finais de semana, feriados, madrugadas para poder fazer esses acompanhamentos e efetuar essas apreensões e prisões”, disse.

 

Repressão

A repressão ao tráfico de drogas pela DRE foi trabalhada de diversas formas, desde pequenos traficantes que atuavam em bairros (tráfico doméstico) a ações na fronteira, que levaram a  prisão de grandes fornecedores de drogas.

No mês de novembro, a operação denominada “Três Estados, desarticulou uma quadrilha que buscava maconha na divisa de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, trazia para Mato Grosso e fazia a distribuição para grandes e pequenos traficantes, donos de bocas de fumo” de Várzea Grande e Cuiabá. Eles ainda tinham uma forte logística para o envio de droga a alguns municípios de Rondônia.

Segundo Juliano de Carvalho, Mato Grosso não é produtor de maconha, mas funciona como uma central de distribuição da droga. Os traficantes compram o entorpecente no Paraguai e revendem a quase 10 vezes mais pelo valor pago.

O delegado explica que a maconha é adquirida por R$ 150, o quilo, e quando chegam aqui adicionam o custo de atravessar, segurança e perda da droga. Em Cuiabá a droga é vendida até R$ 1,2 mil, o quilo. Daqui eles vendem para outros estados como Goiás, Pará, Rondônia a um custo R$ 2 e 2,5 mil o quilo.

“O valor aumenta na medida em que você vai afastando dos produtores. Quanto maior o risco, maior o valor do produto”, explicou o delegado.

O tráfico doméstico foi combatido na operação, “Cracolândia”, que prendeu 35 traficantes, no dia 12 de dezembro. A ação também fechou mais de 30 bocas de fumos instaladas nos bairros Araés e o Alvorada, regiões com conhecidos redutos do comércio de entorpecentes, na Capital.

Fronteira Oeste

Em abril, duas organizações criminosas foram simultaneamente desarticuladas nas operações Poeira Branca e Rota Tripla, culminando no cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva contra membros de duas organizações criminosas investigada no tráfico de drogas interestadual.

As duas organizações criminosas atuavam no comércio de entorpecentes nos Estados de Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pernambuco. As quadrilhas tinham núcleos fornecedores de drogas na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia.

Os traficantes investigados na operação “Poeira Branca” traziam maquinários agrícolas, como tratores roubados ou furtados no estado de São Paulo, para trocar por drogas na fronteira de Mato Grosso. Já os criminosos identificados na “Rota Tripla” –  nome alusivo aos três principais destinos – o entorpecente saía do município de São José dos Quatro Marcos, seguia para Cuiabá (MT), Goiânia (GO) e estados do Nordeste, como Pernambuco e Bahia. Os traficantes dessa organização conseguiam movimentar mais de 200 quilos de cocaína por mês, com lucro equivalente a R$ 1,2 milhão.

Denúncias via WhatsApp

Disponibilizado em novembro, o número de celular (65) 9 9989-0071, com aplicativo WhatsApp para denúncias do tráfico de drogas, superou as expectativas da DRE. Logo que foi lançado houve um receio de que as pessoas não denunciassem, por terem o número do telefone identificado. Mas diante da garantia de sigilo absoluto da fonte, o canal de troca de informações cresce cada dia mais.

Diariamente chegam denúncias, que são filtradas e de imediato uma equipe vai a campo para checagem. “Em muitos casos, a troca de informações com o denunciante continua em tempo real, durante o trabalho de investigação”, salientou o delegado.

“As informações estão vindo cada vez mais ricas em detalhes, com nome, apelido, foto do local, foto do suspeito. A população mostra necessidade dessa ferramenta, desse apoio, desse suporte, e está disposta a ajudar da melhor forma possível, com a quantidade de dados e detalhes que não recebíamos antes”, completou Juliano.

Efetivo

Até o mês de julho, a DRE trabalhou com o menor efetivo desde a sua criação. O número foi recomposto no final de agosto. Atualmente a unidade está preparada com equipes no setor de inteligência, análise criminal, pessoal operacional, veículos e todos dão suporte as delegacias do interior e nas atividades na região de fronteira.

“Não podemos falar em combate ao roubo, furto e homicídio, sem combater o tráfico de drogas que é um dos principais fatores motivadores desses crimes. Fazer isso é deixar de combater a origem, para atuar somente no resultado”, observa o delegado Juliano Carvalho.

Com o efetivo restabelecido, a unidade ganha amplitude maior para atender a demanda, uma vez que a DRE tem competência exclusiva para atuar no tráfico de drogas em Cuiabá e Várzea Grande e competência concorrente nos demais municípios no interior do Estado. O foco será o trabalho em parceria, com as delegacias do interior, principalmente, na região de fronteira, divisa do Estado com a Bolívia.

Integração

As operações integradas, realizadas durante todo ano de 2016, foram fundamentais para o crescimento positivo das estatísticas. Para isso,  a Diretoria de Atividades Especiais da PJC criou o Comitê de Enfrentamento as Drogas, formado por integrantes da Polícia Civil e Militar que se reúnem mensalmente, determinando as diretrizes de combate ao tráfico de drogas e o planejamento das ações.

Com troca de informações e solicitações de apoio, várias operações foram deflagradas com objetivo de fechar pontos de venda de drogas, especialmente, na região metropolitana.

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