Compras de votos indiretamente

Esse negócio de usar recursos públicos para compra de votos indiretamente, não começou agora com a Bolsa Família, onde o governo legalizou a esmola com chapéu dos contribuintes.

Nos velhos tempos da COHAB, contam uma história que certo senhor “Zé Feliz”, de poucas posses, pouco estudo, mas dotado de muita sabedoria popular, e que necessitava de uma casa para morar e fugir do pagamento de aluguel, estava a procura de uma casa via financiamento público.

Logo alguém lhe disse:

– faça sua inscrição na COHAB, e não espere na fila, procure o Sr. Mané Cabo Eleitoral, conhecido também como Mané CE, pois ele é bem relacionado com os políticos.

E assim, Sr. Zé Feliz procurou o Sr. Mané CE, e este garantiu a casa e disse:

– quando estiver próximo das eleições eu te procuro para votar no meu candidato. O “sorteio” mágico foi feito, e o nome do “Zé Feliz” estava garantido e assim ele pode receber a sua casa.

Quando aproximou as eleições, o Mané CD foi à procura do “Zé Feliz”, e ao encontrá-lo logo foi cobrando:

– este é o meu candidato e em troca da casa que nós lhe demos, viemos garantir o seu voto neste nosso candidato.

Zé Feliz olhou bem nos olhos do candidato e lhe disse:

– Eu só vou votar naquele que construir o muro para mim, pois esta casa eu não ganhei, tenho em 25 anos para pagá-la, através do financiamento público.

Como é vergonhoso uma autoridade usar recursos públicos de forma dissimulada, se esquecendo do juramento da posse, onde com as mãos sobre a escritura sagrada, firmou um compromisso com Deus e com o universo, dizendo que aplicaria os recursos públicos com competência, honestidade e ética, o que é normal e obrigação para aqueles agentes públicos que entendem que receber as obras e os serviços sociais de qualidade é direito do povo.

A expectativa para o povo sofrido é que surjam novos líderes e que tenham a consciência de que as conquistas do povo estão sempre incompletas, principalmente porque a escassez dos recursos públicos é diretamente proporcional aos desvios gerados pela compra de votos de forma ilegal, e para se legalizar os atos de compra de votos disfarçados, são criadas as “bolsas famílias da vida” que é um meio eficiente de se perpetuar no poder, usando os pobres e os miseráveis como avalista das safadezas políticas, e essa coisa é tão importante, que este governo, até incluiu o 13º salário na Bolsa Família, como se fosse um contrato de trabalho.

As ações sociais do estado existem para socorrer o povo que não tem recursos financeiros para pagar um Plano de Saúde, não pode pagar um Ensino Privado para seus filhos, não tem um carro próprio, por isso, dependem do transporte público, pois é através do poder do estado que o povo tem um possível retorno social.

Como será possível reverter essas injustiças sociais?

Tudo pode ser revisto através das eleições, pois em quanto o povo continuar elegendo governantes com postura e visão de ajudar apenas os “negócios” e sem visão social, o estado será usado para produzir auxílios fiscais sem controle, e para bancar os negócios centralizadores de riquezas e que na maioria desses negócios gera pouco emprego, pois suas atividades são mecanizadas, mas muitos deles são famintos por Subsídios e Imposto ZERO, e ainda propagam ao “quatro ventos” que o Estado deveria ser mínimo ou ZERO, ou seja, sem professores, sem assistência média e hospitalar, sem policiais na rua, sem transportes públicos, e que tudo deveria ser privatizado e ao povo, caberia apenas o dever de pagar impostos, como: IR que chega a 27,5% e o Imposto sobre o Consumo (ICMS,IPI, e outros) e além da Previdência que passou a 14%, e que será paga até a morte pelo povo que não pode pagar um Previdência Privada, não foi o povo que faliu a Previdência, mas sim, más gestões, os desvios e rombos sucessivos nos cofres públicos e da Previdência.

Mas, é o próprio povo que coloca esses políticos no poder, e depois de 04 anos vem à decepção, pois na política o arrependimento só chega atrasado.

Wilson Carlos Fuáh é especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos

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