CPI dos Frigoríficos entra na segunda fase de trabalhos

CPI Frigoríficos (Foto: Karen Malagoli/ALMT)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frigoríficos recebeu três das cinco testemunhas convocadas para depor na manhã de hoje (23). O primeiro a ser ouvido foi o representante do frigorífico Margens S/A, que operava em Barra do Garças, Mauro Suaiden.

Durante o depoimento, Suaiden afirmou que a empresa se encontra em recuperação judicial e por isso teve que fechar as portas. “A planta de Barra do Garças está fechada e abandonada, e realmente, não pensamos em reabri-la”, explicou ele.

Conforme o presidente da CPI, deputado Ondanir Bortolini (PSD), a planta de Barra do Garças operava até 2009 com cerca de 10 mil funcionários, que foram demitidos. No entanto, encontra-se em pleno funcionamento demais plantas da empresa nos estados de Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Pará e São Paulo.

Questionado sobre possível influência da empresa JBS no fechamento, Suaiden apenas afirmou que o grupo resolveu investir em outros estados. “A JBS pode trocar de dono, mas não quebra porque o a empresa é muito forte. O único lugar que tem carne de sobra é o Brasil e a JBS sabe explorar esse fator positivo”, apontou ele.

Em seguida, o prefeito de Matupá, Valter Miotto Ferreira, participou da oitiva mostrando que o município sofreu grande prejuízo financeiro e alto índice de desemprego. “Quando a  unidade de Matupá fechou, a perda financeira foi enorme, e o comércio sentiu um forte impacto negativo. Entendo que com o apoio do trabalho da CPI, Matupá possa ter a reabertura do frigorífico”, disse Miotto.

O prefeito falou ainda que quando em funcionamento, o frigorífico Vale Grande trouxe boa geração de renda e fomento à economia local. “Quando a JBS comprou, logo em seguida a empresa fechou a planta e os danos foram incalculáveis”, destacou ele, falando também que a prefeitura entrou na justiça para retomar o terreno doado em 2002 para a construção do frigorífico.

Representando o grupo BRF, de Várzea Grande, o diretor André Luis Baldiserra substituiu   foi o último a testemunhar na CPI. De imediato, ele comentou que desde 2013 o grupo deixou de comercializar carne bovina para entrar no negócio de aves e suínos.

“Essa mudança se deve a vários fatores, que foram estudados pela diretoria, mas atualmente o grupo investe em novas tecnologias para abates de aves e suínos, um ramo que vem dando bons resultados para a empresa”, apontou ele.

Para o presidente da CPI, o fechamento das plantas frigoríficas de Mato Grosso tem uma única saída, o monopólio do grupo JBS. “Nosso trabalho está numa fase avançada e até o fechamento do relatório vamos ouvir um representante do JBS para conclusão”, admitiu Nininho.

Na oitiva de hoje, não compareceram o representante da Brasfri S/A, de Nova Monte Verde, Danilo de Amo Arantes. Em justificativa à equipe técnica, ele pediu licença e alegou que se encontra há seis anos afastado do grupo e que não possui informações adequadas para a CPI.

O representante do Sol Nascente, de Cáceres, José Antonio Duarte Alvares também não compareceu. A próxima oitiva está marcada para o dia 30 de agosto.

Fonte: AL MT
Comentários Facebook