Curso de manejo florestal sustentável termina com doação de alimentos

Fernanda Nazário e Marcos Antônio Ferreira

Terminou, na tarde de sexta-feira (05.08), o 5° e 6° curso de ?Manejo Florestal Sustentável: Normas e Procedimentos?. Participaram da capacitação cerca de 100 pessoas, entre estudantes e profissionais da área de engenharia florestal.

As aulas tiveram início com duas turmas de 50 alunos, na segunda-feira (01.08), no auditório Pantanal da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), e foram encerradas com a entrega de certificados e a doação de 100 kg de alimentos não perecíveis para a Fundação Abrigo Bom Jesus. 

As aulas foram gratuitas, mas em agradecimento ao trabalho da Secretaria, os alunos se propuseram a fazer a campanha ?manejo solidário? e doar alimentos para uma instituição filantrópica.

A secretária adjunta de Licenciamento Ambiental da Sema, Mauren Lazzaretti, parabenizou a iniciativa e destacou a importância de aproximar o setor florestal do órgão, para juntos desenvolveram práticas sustentáveis que contribuam para o fortalecimento da economia do estado. “Temos o compromisso de fomentar as práticas ambientalmente corretas, de modo que garantam o desenvolvimento socioeconômico de Mato Grosso. E isso só vai acontecer se os profissionais estiverem alinhados com o órgão ambiental”.

O analista do meio ambiente da Sema, Marcos Antônio Ferreira, faz um balanço positivo dos cincos dias de curso e avalia como essencial para esclarecer dúvidas tanto dos responsáveis técnicos pelo plano de manejo, quanto de profissionais e estudantes. “O Governo está propondo ampliar a área de manejo florestal e para isso é imprescindível que a gente tenha um nivelamento do conhecimento, para que as propostas de intervenção e as de exploração da área sejam as mais coerentes possíveis”.

Durante o curso, Marcos Ferreira esclareceu aos alunos e profissionais que manejo não se trata simplesmente de cortar árvore da floresta. Ele explicou que a atividade tem a obrigação de se preocupar com o tratamento posterior ao corte de árvore. “Dessa forma garantimos que essa floresta volte a crescer, se aproximando aos aspectos parecidos aos que tinha quando foi cortada”.

Para a engenheira florestal Luciana Barreto, que trabalha em uma empresa de assessoria no estado, a iniciativa da Sema foi importante, em função das dúvidas existentes e novidades na área de legislação.  “Sou formada há 18 anos e sempre é bom reciclar o conhecimento porque todo dia surgem novas ferramentas de trabalho e novas regras. E para adaptar é necessário esse compartilhamento de experiência”.

Diferente de Luciana, Raphael Rodrigo de Arruda, de 23 anos, ainda não tem tanta experiência na área. Ele é aluno do 7° semestre do curso de engenharia florestal da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), mas está diariamente a procura de conhecimento, além do já adquiro em sala de aula, para prestar um trabalho de qualidade no futuro. “Na universidade não temos muita noção de como vamos empregar as metodologias ensinadas em sala. E aqui observamos como elas funcionarão no cotidiano. Isso é valioso pra gente, porque estamos extraindo essas informações direto da fonte, que é a Sema”.

O curso

O conselheiro suplente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea) e vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (Amef), Benedito Carlos Almeida, ministrou  o tema “fiscalização profissional”. Ele explicou aos presentes que a profissão de engenheiro florestal é regulamentada pela Lei n° 5194 de 1966. “A função do Crea é fiscalizar o profissional, com o objetivo de garantir a qualidade do serviço prestado. Se não fiscalizarmos, o profissional vai fazer um trabalho sem as devidas orientações”.

Benedito destacou também a importância do registro profissional junto ao Crea. Sem isso, ele não pode emitir Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e, consequentemente, não pode elaborar e nem executar um projeto de manejo florestal. “O registro é feito quando a pessoa apresenta o diploma de conclusão da graduação ao Crea. Depois fazemos a análise e ela estará pronta para atuar na área”.

O conselheiro lembrou também que toda vez que um profissional faz uma ART ele cria um acervo com seu histórico. E quando ele vai pleitear um trabalho em que é realizada a análise curricular é possível provar para a instituição que ele tem experiência por meio da certidão de acervo emitida pelo Crea.

Além dessa temática, foram discutidos no curso assuntos como a atuação complementar em Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), temas referentes à cadeia produtiva, avanços na ciência florestal, redes neurais artificiais aplicadas ao manejo de floresta nativa e normatização técnica, entre outros.

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