De bons articuladores à soberbos políticos!

Por Elizeu Silva

Nos últimos dias presenciamos fatos que vão além do inédito na política de Cuiabá e Várzea Grande. Mas, contundência mesmo se deu na política de Livramento (pequena e pacata cidade de pouco mais de 11 mil habitantes, situada cerca de 32 km da capital mato-grossense). Ali, os acontecimentos ganharam repercussão em massa na mídia regional. Em apenas dois dias, o modesto livramentense tomou ciência de pelo menos três mudanças pra lá de radicais: renuncias e trocas, e cortes de candidaturas a prefeito e vereadores, nas eleições projetadas para outubro deste ano. Como os fatos foram pra lá de inusitados, logo o papa banana se viu de ponta cabeça com a rispidez sobre o assunto que decidirá o futuro do lugar.

Como a cidade tem uma zona urbana bem concentrada num pequeno raio de circunferência, as notícias sequer precisaram de uma transmissão radiofônica para se espalhar ao léu, até porque, ali não se tem rádio. Elas se propagam de boca em boca mesmo, numa rapidez jamais vista em qualquer lugar do mundo, principalmente, por elas serem taxadas de cunho político ruim. É como diz o ditado popular: notícia ruim corre rápido e chega ligeiro.

Mas, isso não quer dizer que o sossegado livramentense seja fofoqueiro por excelência, muito pelo contrário! Apenas gosta de se assuntar daquilo que está sendo decidido entre quatro paredes pelos grupos políticos. Não é a toa que o papa banana é conhecido em longínquos lugares como sendo ‘expert’ na arte de fazer política em solo mato-grossense.

Só que tem um “Q” ai nessa questão! Nos últimos dias as coisas perderam o controle dos politiqueiros plantonistas do lugar. Por tentarem mudar o rumo da política local a bel-prazer, e da noite para o dia, e sem antenarem à vontade popular, de bons articuladores políticos, estes, ganharam novas nomenclaturas. De espertos, para incompreensíveis, de incompreensíveis para matreiros, indo a rasteiros, vaidosos e soberbos. Os sinônimos de pacato cidadão foram dando espaço aos antônimos entre eles de tal forma, que até a policia foi solicitada pra intervir e investigar um tipo de ameaça de morte.

Confesso que essa inimaginável situação me surtou os pensamentos a ponto de me levar imaginar como sendo veracidade a comédia: “Espelho, Espelho Meu……….”, – história de Branca de Neve dirigida por Tarsem Singh (A Cela, Imortais), que começa com a Rainha Má, madrasta de Branca de Neve, matando o pai dela e destruindo o reino. A heroína precisa, então, se unir a sete anões dispostos a brigar para reclamar os seus direitos. Dos sete anões da fantasia aos políticos livramentenses não tem nenhuma comparação e qualquer semelhança é mera coincidência.

Ignorando os termos: incompreensíveis, matreiros e rasteiros, trataremos; vaidosos e soberbos políticos. A vaidade é uma característica que todos nós temos em maior ou menor grau e na medida certa, ela pode ser algo bastante benéfico. Estudos apontam que a vaidade está ligada a um senso de autopreservação e proteção e ao exercermos a vaidade, estamos também trabalhando para melhorar nossa autoestima e autoconfiança. Contudo, devemos adornar a vaidade pra não corremos os riscos de seus excessos. É preciso que repensemos nossas formas de lidar com ela, estimulando seu lado crítico, de forma saudável e responsável. Caso contrário, ela se atiça para a soberba e se isso acontecer, a desgraça será inevitável. É bom lembrar que no livro bíblico de Provérbios, em seu capítulo 16, versículo 18, a palavra de Deus inspirada aos seus autores consta da seguinte maneira: “A soberba precede a ruína, o espírito arrogante vem antes da queda.” Sendo assim, vai à dica para aqueles que ainda insistem em levar a política na mais pura arrogância e se esquecendo de ouvir a vontade popular. O conselho não é dirigido somente à políticos de Livramento, de Cuiabá ou de Várzea-Grande, mas do Brasil e do mundo.

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