E agora, José Pedro?

Por Sérgio Cintra

Em um cenário eleitoral complexo porque, até poucos dias, era candidato único e nas “pesquisas” não conseguia ir além de 30% de intenção de votos, Mauro Mendes conseguiu o inusitado: ter uma sobrevida política e complicar ainda mais o projeto de poder do PSDB e, além disso, tumultuar a eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa.

A sobrevida política advém da possibilidade, se não houver nenhum percalço de ordem jurídica, de Mendes ser candidato ao Senado ou ao Governo respaldado em uma administração “eficiente” de Cuiabá.

Ao abandonar a corrida ao Alencastro, ele sinaliza que tem um projeto político mais ambicioso e explicita que não incorrerá na mesma falha do tucano Wilson Santos.

Que o governador de Mato Grosso assumiu o governo em condição delicadíssima não se discute, mas que patina na gestão também é fato inquestionável.

Quase dois anos de mandato e a tão propalada transformação ainda é mais propaganda que realidade. É preciso apressar essa metamorfose. Mauro e seus aliados de alto quilate, como Blairo Maggi, parecem apostar que José Pedro Taques não conseguirá fazer a lagarta transformar-se em borboleta.

E, por último, Mendes, mesmo que indiretamente, ao deixar a arena política abruptamente, deixa à deriva um de seus mais importantes aliados, o deputado Eduardo Botelho, que almeja a presidência daquela casa de leis.

Mesmo tendo sido ungido pelo Paiaguás, Botelho pode deixar de ser o sonho de consumo de Taques, pois há a possibilidade de, em 2018, o deputado do PSB apoiar o Mauro do PSB.

Neste palco onde os protagonistas caminham em corda bamba, tentar prever quem se sustentará é, no mínimo, arriscado; porém, com um tempo diferenciado, à moda Tancredo Neves, Guilherme Maluf pacientemente aguarda, porque sabe que qualquer movimento agora pode representar o desequilíbrio e a queda.

Mauro sai de cena e não se sabe se voltará triunfalmente no último ato em 2018. Emanuel Pinheiro caminha tranquilamente para o elevador do paço municipal.

José Pedro Taques, ao confiar cegamente na reeleição de Mendes, ficará com o ônus político de perder a prefeitura da capital de Mato Grosso para a oposição, além do mais, poderá ter problemas no palácio Dante de Oliveira.

O cuiabano Maluf apenas espreita e espera na cadeira de balanço com seu sorriso enigmático, ouvindo Ivan Lins: “Já está escrito, já está previsto/ todas as videntes, pelas cartomantes/ Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas/ No jogo dos búzios e nas profecias/ Cai o rei de Espadas/ Cai o rei de Ouros/ Cai o rei de Paus/ Cai, não fica nada”.

Comentários Facebook