Eleições, impunidade ‘Déjà vu’

Por Waldir Bertúlio

Com as eleições municipais, a disputa dos cargos de prefeitos e vereadores na praça. Mesmas figuras, mesmos grupos postulando o ‘novo’. Já se sabe, promessas, quase todos, após eleitos, serão esquecidas.

O que ocorre na verdade, é a rigorosa falta de perspectiva na representação política, consequente e pautada minimamente na ética e moralidade pública. É só dar uma verificada nas candidaturas dos colégios eleitorais de Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Barra do Garças. O cenário, quando muito, um rearranjo no rodízio do domínio dos poderes políticos locais.

Esse filme já é conhecido. Salvo Cuiabá, que tem um partido, PSOL, mantendo com rigor seu estatuto. O resto, alianças políticas a qualquer preço, muitas esdrúxulas, sem coerência. É perseguir o aumento do tempo de TV em uma eleição sem financiamento empresarial.

Absurdo é que os candidatos não tem limite para colocar dinheiro próprio no total delimitado. Então essa sensação de que já conhecemos as artimanhas e falácias, colocam candidaturas sem nenhum eixo baseado no programa do partido, sem perspectiva de renovação e mudança política. Agem quase todos sob interesses condenáveis, sem uma ação que deveria aproximar-se da democracia e de uma ideia de República.

Um projeto de cidade, ou de representação real do povo, certamente estará fora de cogitação, senão, só enquanto busca de votos. Este deve ser o perfil real da maioria dos candidatos, com raríssimas exceções. Na maioria, são propostas de grupos já bem conhecidos na desfaçatez pública tentando eleger-se diretamente ou através de prepostos. Grupos tradicionais de poder, e novos decrépitos, deletam a possibilidade de uma perspectiva cidadã enquanto Plano de Governo e mandatos.

As espúrias alianças são conduzidas para interesses absolutamente deslocados da legitimação das representações. Nesta crise em que o país está mergulhado, frente ao cinismo, a mentira e a corrupção, os estertores finais de um governo eleito. Suas hastes alheias à autocrítica, também duramente investigados por corrupção eleitoral. Perderam até os limites dos interesses da hegemonia privada e o interesse público. Neste abismo aberto no leito intestino político para a manutenção e assunção ao poder a qualquer custo, caminhamos para a diluição da esfera pública.

Mesmo que tentem manter uma estética aparentemente democrática e livre. Mandatos não deveriam ser utilizados como carreira profissional, a renovação é uma medida mínima benéfica. Precisamos sim, enfrentar e combater a violência política (dos políticos), desmascarando o escracho e a impunidade no exercício de mandatos. É preciso refletir sobre a história política de MT, corrupção aterradora. Nestas eleições os caixas 2 estarão em ação, talvez com estratégias inimagináveis. Já ouvi gente dizendo que foi procurado por ter dinheiro em conta bancária para ceder o CPF e receber o dinheiro retribuído a mais, por fora. Será? Não duvido das peripécias que poderão surgir. Eleitores, povo, desacreditados da política e dos políticos. É preciso tirar a política da UTI. Reconstruir a credibilidade!

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