Elementos naturais e casas térreas se destacam no novo cenário

A valorização dos elementos naturais e da natureza já estava em alta antes da pandemia do novo coronavírus. Neste período de quarentena, este olhar se aguçou. Para a psicóloga Luciana Guedes, as pessoas têm procurado atividades para ocupar a cabeça nesta época de ansiedade, como cuidar das plantas, lendo mais, praticando a meditação. “O comportamento impacta na arquitetura e na decoração de interiores. As pessoas querem ter um espaço de bem-estar e com o isolamento social, a casa se fortaleceu como um lugar seguro para a família”, destaca a psicóloga.

A arquiteta Bianca Parra comenta sobre a tendência em trazer mais natureza para dentro de casa, o que dá novos ares à moradia. “Os condomínios horizontais que valorizam áreas verdes se destacam nesse cenário, as famílias buscam essa conexão com a natureza. E para dentro das residências, ambientes com materiais naturais podem nos deixar mais tranquilos”, observa ela. A ideia é ir além de um ambiente esteticamente bonito, mas sobretudo que ele seja funcional, sem espaços ociosos. “As pessoas estão pensando no bem-estar aliado à decoração, na eficiência dos ambientes e na sua relação com o equilíbrio interior. É possível construir a casa dos sonhos em terrenos de diferentes metragens, o importante é estabelecer quais as prioridades das famílias”.

As casas térreas têm se sobressaído entre os pedidos. O arquiteto Ben Hur El Hage explica que os projetos de casas térreas cresceram muito nos últimos anos. “As pessoas estão escolhendo casas térreas por buscarem projetos com área construída reduzida, sem excessos na construção e com foco na acessibilidade. As casas ficaram mais ‘compactas’, porém com ambientes integrados que proporcionam a sensação de amplitude, com aproveitamento dos espaços, iluminação e ventilação, especialmente quando associamos ao pé direito alto, ou seja, uma altura mais elevada garantindo um ambiente mais fresco”.

O arquiteto acrescenta que a casa térrea requer tempo menor de execução e menos custos, comparada a um sobrado com as mesmas características. “Em um terreno de 370 m2 no Florais da Mata, da Ginco Urbanismo,  é possível construir uma casa excelente de 180 m2 com três quartos, espaço gourmet integrado para receber toda a família”, exemplifica. Um terreno no Belvedere 2, de 300 m2, cita Ben Hur, também comporta uma casa térrea de 150m2, e quando bem planejada chama a atenção pelo conforto.

 O engenheiro Lucas Ferreira elenca algumas características chaves para a casa térrea: acessibilidade, praticidade, redução estrutural, agilidade na execução, estética que permite várias opções e maior integração com espaços de lazer e vivência. “As casas térreas ganharam visibilidade surpreendente. Muitas pessoas que inicialmente buscaram sobrados, passaram a considerar a acessibilidade pensando no passar do tempo e eventuais acidentes”, exemplifica. Lucas acrescenta que os terrenos compactos prezam pelo melhor aproveitamento do espaço. “Sobre a redução estrutural, embora cada projeto seja particular e alguns demandem uma complexidade tão grande quanto um sobrado, a tendência é que você tenha pilares menos robustos, vigas de menor cessão, tudo isso traz diminuição no aço e concreto do seu projeto, você consegue fazer uma adequação muito tranquila quanto ao seu conjunto estrutural e a parte superior, permitindo que se tenha gesso mais alto para evitar um cruzamento de vigas”.

O engenheiro adianta que é possível a diminuição de até dois meses em obra quando comparada a um sobrado. Para os apaixonados por telhado aparente, em uma casa térrea essa estética é mais facilmente executada e com menor custo.

Varandas, quintais, salas e cozinhas integradas em casas térreas revelam a procura pelo conforto e por convívio mais próximos entre os familiares. A advogada Fernanda Cristina Ribeiro Missorino conta que o projeto de residência térrea foi a melhor escolha para propiciar liberdade para as crianças dentro de casa e contribuir para a acessibilidade do marido, João Dalvo de Oliveira Júnior, também advogado e que se recupera de um AVC, sofrido em maio de 2018. “Tivemos de redefinir nosso sonho, tínhamos um projeto de sobrado, mas com o AVC do meu marido, aos 37 anos, mudamos tudo. Ele está se recuperando dia a dia e retomamos nosso projeto, optamos pela casa térrea e a cada avanço da obra, projetada pelo arquiteto Ben Hur El Hage, as crianças vibram”, contou ela, acrescentando que os filhos João, 8 anos, e Joaquim, 3 anos, estão ansiosos pela mudança para o Florais da Mata, em Várzea Grande.

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