Estamos condenados?

Por Onofre Ribeiro

Os dados divulgados nesta semana que passou sobre diversos aspectos da violência no Brasil e em Mato Grosso nos levam à pergunta inevitável: falhamos, e nossa civilização está morrendo? Os dados são muito cruéis e no primeiro momento indicam que estamos morrendo como civilização! É o caos humanitário!

Vamos a alguns números. Mato Grosso é o terceiro estado no país em número de estupros e o segundo entre as 27 capitais. Foram 385 estupros em 2014. Cresceram em relação a 2013. O maior volume de tráfico de drogas por habitante no país.

Estudantes deixam de ir às aulas por falta de segurança no caminho. Já os homicídios cresceram 22% no país e em Mato Grosso é o 11º. em crimes com armas de fogo.

Não vamos falar de estatísticas porque elas são frias e não ajudam muito quando não se compreende o que está por detrás delas. Tem muita coisa por trás. Coisas simples e ao mesmo tempo complexas como a falta de educação. Quando se sabe que o maior gasto em Mato Grosso é com a educação, aí cabem muitas perguntas. Por que? Por que?

O problema desse estado de guerra civil em nosso estado não é um problema policial. É uma enormidade de problemas sociais amarrados uns nos outros e caem nas mãos da polícia.

Começam na educação que não educa e não ajuda nada na construção da cidadania. Mas o aluno chega à escola deformado porque a família o deformou nos seus desajustes sociais. Faltou-lhe também educação. A falta de educação é o maior crime cometido contra a sociedade brasileira nas últimas décadas. Porém, o pior mesmo.

É que os governos adotaram o discurso da segurança pública em suas campanhas. Prometem polícia e cadeias. Não é por aí. Começa na falta de creches. Na falta de educação nas escolas. Polícia é o último elo na cadeia dos crimes.

De outro lado, a justiça patina em leis que foram feitas para não punir. Sendo assim, por que respeitar leis se elas não resultam em punição? Sou um homem maduro. Vi a desconstrução da educação brasileira desde 1962. Por iniciativa do poder público. E não enxergo o poder público interessado na educação como elemento da transformação social.

Encerro este artigo olhando pra um futuro marcado por violências crescentes contra a mulher, contra as crianças, contra a sociedade. Contra a dignidade. Sem reações. Triste destino o nosso! Voltarei ao assunto.

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