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Feminicídios e violência doméstica pautam discurso de alerta na Câmara de Cuiabá

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A dor de uma mãe que perdeu a filha de apenas 12 anos e a indignação diante de uma violência que insiste em fazer vítimas marcaram o pronunciamento da vereadora Katiuscia Manteli (Podemos) durante o Grande Expediente da sessão desta terça-feira (09), na Câmara Municipal de Cuiabá. Em uma fala carregada de emoção, a parlamentar transformou a tribuna em um espaço de reflexão e fez um apelo pela proteção das mulheres e meninas mato-grossenses.

Ao abordar o caso da menina Olga, morta em Várzea Grande em um crime investigado como feminicídio, Katiuscia lembrou que Mato Grosso continua figurando entre os estados com os maiores índices desse tipo de violência no país e questionou até quando as mulheres seguirão perdendo a vida simplesmente por serem mulheres.

“O nosso coração se parte quando vemos uma menina de 12 anos sendo morta pelo próprio pai. Até onde nós vamos morrer por sermos mulheres?”, declarou.

A vereadora destacou que a violência contra a mulher vai além dos casos que ganham repercussão e faz parte da realidade de milhares de famílias. Segundo ela, muitas vítimas permanecem em relacionamentos abusivos por medo, dependência emocional ou pela ausência de uma rede de apoio capaz de ajudá-las a romper o ciclo de violência.

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“Vivemos em um mundo onde as mulheres têm medo. Elas têm medo de denunciar, têm medo de sair do relacionamento e de quebrar esse ciclo abusivo. Muitas vezes, a dependência não é financeira, é emocional”, afirmou.

Durante o discurso, Katiuscia também alertou para a necessidade de ampliar o debate sobre a prevenção da violência e promover mudanças profundas na sociedade. Para ela, apenas o endurecimento das leis não tem sido suficiente para frear o número de vítimas.

“Nós precisamos mudar a cultura deste país. Precisamos salvar as nossas mulheres, salvar as nossas meninas e salvar as nossas filhas”, disse.

A parlamentar manifestou solidariedade à mãe de Olga e afirmou que o caso evidencia uma realidade que exige atenção permanente do poder público e da sociedade. Para ela, o aumento dos casos de violência contra mulheres e meninas demonstra que o enfrentamento ao problema precisa ir além das medidas punitivas e alcançar ações de prevenção, acolhimento e conscientização.

Durante o pronunciamento, a vereadora também manifestou repúdio ao perdão judicial concedido à mãe do menino Henry Borel, caso citado por ela como exemplo da necessidade de discutir o papel da família na proteção das crianças e no combate à violência.

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Ao encerrar sua fala, Katiuscia reforçou que o enfrentamento à violência contra mulheres e crianças depende do envolvimento de toda a sociedade, desde o fortalecimento das políticas públicas até a construção de uma cultura de respeito e proteção à vida. Segundo a vereadora, é necessário criar condições para que as vítimas se sintam seguras para denunciar e romper os ciclos de violência antes que novas tragédias aconteçam.

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