Independência ou Morte: ‘A minha independência tem algemas’

Por João Edisom

“A minha independência tem algemas”.

Manoel de Barros

Era 07 de setembro de 1822 quando Dom Pedro I bradou a famosa frase “Independência ou Morte”. Deste então, esta frase acompanha a vida dos brasileiros. Antes do fatídico dia as margens do Ipiranga existiam dois grupos: os dependentes, representados pelos senhores brancos; e os mortos: aqui representados pelos desvalidos, Índios e, principalmente, os Negros até então escravos, fato que vai durar até o final do mesmo século, pelo menos no papel, pois na vida real muitos de seus descendentes ainda precisam desta liberdade.

Passados quase dois séculos, podemos afirmar que ainda padecemos do mal desta frase. Os dois grupos continuam existindo, pois este é o país dos agora independentes e dos mortos. Dos independentes que por serem “donos” do poder político e/ou econômico, fazem desta terra um paraíso, para si mesmo e seus “chegados”, tem a seu favor todas as benesses do estado, bem como dos poderes constituídos, a eles tudo pode. Do outro lado continua o grande grupo; o dos mortos. Mortos para a cultura, mortos para a educação, mortos para a saúde, para o acesso… Os sem vida.

Estamos em um país de contrastes, pois já conseguimos emprestar dinheiro ao FMI, sediar jogos pan-americanos, copa do mundo e até olimpíadas! Por outro lado, não conseguimos pagar dignamente salários para professores, médicos, policiais, etc.. Pior: não concedemos independência para a maioria dos brasileiros, que sobrevivem em locais inóspitos, tais como acampamentos de sem terra, sem teto, e os sem tudo nos diversos rincões deste imenso território. País este que tem como referencia econômica para seu povo o dito salário mínimo. Mínimo que não dá ao trabalhador que mora sozinho possibilidade de viver dignamente. Imaginem para os que possuem famílias.

Ainda somos o Brasil que arrecada demasiadamente. O Leão dos tributos corta no osso e na alma do brasileiro trabalhador e sério. Mesmo motivo que justificou tal grito a D. Pedro I em setembro 1822. Os senhores da época trabalhavam mais para pagar impostos a Portugal que para seus benefícios e de sua família e ainda não viam nenhum retorno social. Sentiram-se explorados pela Coroa Portuguesa, revoltaram-se e foram à luta, iniciando com a Inconfidência e concluindo com o tal dia as margens do Ipiranga.

Hoje, já no século XXI, trabalhamos simplesmente cinco dos doze meses do ano exclusivamente para bancar o Estado Brasileiro em suas diversas esferas. Também sem retorno na educação, no saneamento básico, na segurança, saúde e etc.

E ainda somos obrigados a conviver com as benesses concedidas aos que já detém tantos poderes somados a crimes de corrupção e crime de colarinho branco as operações de nomes inimagináveis provam isso. Assim como no dia em que Dom Pedro bradou o grito a margem do Ipiranga, hoje os moribundos deste país gritam por independência, mas ninguém ouve, e não ouvem não é por serem surdos; é que os poucos independentes que tem força para mudar a história são os principais beneficiados deste País. Independência sim, mas de morte já estamos fartos.

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