Justiça autoriza nova necrópsia no corpo do miliciano Adriano da Nóbrega

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Reprodução

Adriano e a mulher em uma fazenda do interior da Bahia

A Justiça da Bahia autorizou, na noite desta terça-feira (18), a realização de novo exame de necrópsia no corpo do ex-PM do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega. O pedido havia sido feito pela família do miliciano e também pelo Ministério Público baiano. Em sua decisão, o juiz Augusto Yuzo Jouti determina que a perícia seja feita por peritos do Instituto Médico Legal do Rio, onde o corpo de Adriano está desde o último domingo. A família do miliciano e o MP da Bahia poderão indicar assistentes técnicos, que poderão elaborar quesitos e pedir esclarecimentos. O magistrado também determinou que o corpo de Adriano seja mantido e conservado em câmara de refrigeração do IML do Rio.

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A família de Adriano havia solicitado que a necrópsia fosse feita no corpo do miliciano por um perito independente e particular. Pela decisão judicial, só será possível que o assistente de acusação acompanhe o exame que será feito por um perito do IML do Rio. Ainda de acordo com a decisão, após a realização da perícia, a família do ex-policial e o MP da Bahia deverão se manifestar em três dias para que seja determinado pela Justiça o destino do corpo.

O juiz Augusto Yuzo Jouti também determinou a requisição à Secretaria de Segurança Pública da Bahia das gravações dos rádios transmissores utilizados pelos PMs do Bope no dia da operação na qual Adriano foi morto . Foi determinado, ainda, exame papiloscópico nas munições não deflagradas da pistola Glock encontrada com o ex-PM.

Novo pedido

O Ministério Público da Bahia entrou com um pedido na Justiça do estado, nesta terça-feira, pedindo a conservação do corpo do ex-capitão do Bope para que seja realizado um novo exame de necrópsia no cadáver. Os promotores querem que o novo exame determine a distância aproximada entre os atiradores e Adriano, a direção que os projéteis percorerram no interior do corpo do miliciano e o calibre das armas usadas nos disparos feitos.

As questões levantadas pelo MP não foram respondidas na primeira necrópsia feita no corpo de Adriano, ainda no Instituto Médico Legal de Alagoinha, na Bahia. O miliciano morreu na cidade vizinha de Esplanada.

O pedido do MP foi feito após o juiz do 4o Tribunal do Júri do Rio, Gustavo Kalil, ter revogado, na segunda-feira, todas as decisões que haviam sido tomadas em relação a Adriano no processo da Operação Intocáveis. O magistrado decidiu pela revogação após ter julgado extinta a punibilidade de Adriano por sua morte. Com isso, ficaram sem validade decisões anteriores que haviam impedido a cremação do corpo de Adriano e também outra que havia determinado a conservação do corpo no IML do Rio.

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Já o pedido da família de Adriano foi feito no último fim de semana, na Justiça da Bahia.

Nesta segunda-feira, a Justiça do Rio deu uma nova decisão proibindo a cremação do corpo de Adriano. O juiz Marcius da Costa Ferreira, da Vara de Fazenda Pública do Rio, negou pedido feito pela família do miliciano no último dia 11 para que o corpo seja cremado. A solicitação já tinha sido indeferida pela juíza Maria Izabel Pieranti, do Plantão Judiciário. “O deferimento do pedido acarretaria prejuízo à elucidação dos fatos, podendo ser imprescindível a realização de eventuais perícias e laudos complementares”, escreveu o magistrado na decisão.

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