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O próximo ciclo de desenvolvimento de Mato Grosso será urbano

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Por Rodrigo Arruda e Sá*

Durante décadas, Mato Grosso construiu uma história admirável de crescimento. Transformou-se em uma potência do agronegócio, tornou-se um dos maiores produtores de alimentos do planeta e consolidou uma economia que hoje figura entre as mais dinâmicas do Brasil. Esse ciclo continuará sendo motivo de orgulho para todos nós. Mas acredito que o próximo grande desafio do Estado será outro.

O próximo ciclo de desenvolvimento de Mato Grosso será urbano. Não porque o campo perderá importância, mas porque a riqueza produzida por ele precisará ser transformada em qualidade de vida nas cidades.

O desenvolvimento de um Estado não se mede apenas pelo volume de grãos colhidos ou pelo tamanho de seu rebanho. Mede-se também pela qualidade das escolas, dos hospitais, das universidades, dos parques, da mobilidade urbana e dos espaços públicos oferecidos à sua população.

Os números ajudam a compreender essa mudança. Mato Grosso já possui uma população estimada em quase 3,9 milhões de habitantes e continua entre os estados que mais crescem no país.

A maior parte dessa população vive nas cidades e depende diariamente de infraestrutura urbana, serviços públicos, transporte, comércio e lazer. O futuro econômico continuará sendo construído no campo, mas o futuro social será decidido, cada vez mais, nos centros urbanos.

Esse cenário não representa uma escolha entre campo e cidade. Ao contrário. Nunca o agronegócio dependeu tanto de cidades bem estruturadas.

O produtor rural precisa de hospitais de excelência, universidades capazes de formar profissionais qualificados, logística eficiente, tecnologia, serviços especializados e mão de obra preparada. Da mesma forma, as cidades dependem da riqueza produzida no campo para gerar empregos, arrecadação, investimentos e oportunidades.

Basta observar o que aconteceu nas últimas décadas. Cidades como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Nova Mutum e Rondonópolis cresceram impulsionadas pela força da produção agropecuária.

O desafio agora deixou de ser apenas crescer. Passou a ser crescer bem. Isso significa planejar bairros antes da expansão desordenada, preservar áreas verdes antes que desapareçam, investir em mobilidade antes que os congestionamentos se tornem permanentes e proteger rios e nascentes antes que sua recuperação se torne muito mais cara.

Como contador e empresário, aprendi que toda organização enfrenta momentos de transição. Empresas que continuam administrando estruturas pequenas depois de se tornarem grandes acabam perdendo eficiência. Com os estados acontece exatamente o mesmo. Mato Grosso já não é apenas uma fronteira agrícola. É uma potência econômica que precisa construir cidades compatíveis com sua nova dimensão.

Isso exige uma mudança de mentalidade. Precisamos discutir onde crescerão nossas cidades nas próximas décadas, como protegeremos o Rio Cuiabá e tantos outros cursos d’água, quantos parques urbanos queremos oferecer às futuras gerações e como integrar desenvolvimento econômico com qualidade de vida. Essas não são pautas secundárias. São decisões que determinarão a competitividade do Estado nas próximas décadas.

Os estados mais desenvolvidos do mundo compreenderam que riqueza e urbanismo caminham juntos. Empresas escolhem investir onde conseguem atrair talentos. Famílias escolhem viver onde encontram segurança, boas escolas, espaços públicos de qualidade e cidades agradáveis. O desenvolvimento econômico do século XXI dependerá cada vez mais dessa capacidade de transformar crescimento em bem-estar.

Mato Grosso já demonstrou ao Brasil que sabe produzir riqueza. Agora precisa mostrar que sabe transformar essa riqueza em cidades mais organizadas, mais verdes, mais inteligentes e mais humanas. O sucesso das próximas décadas não será medido apenas pelas safras recordes, mas pela capacidade de oferecer qualidade de vida às pessoas que fazem esse Estado crescer todos os dias.

*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.

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