O VLT e a Smart City

Como serão as cidades do futuro? Por que temos que replanejar, inovar e torná-las sustentáveis?

A Organização das Nações Unidas (ONU) projeta para o ano de 2050 a existência de dois terços de população urbana no mundo. De acordo com o último Censo (2010) o Brasil tem 84,4% da população vivendo em áreas urbanas e 15,7% em zonas rurais. Em 2018, o nosso país chegou a 317 municípios com população superior a 100 mil habitantes. É um crescimento assustador das cidades.

Os reflexos de grandes congestionamentos e poluição ambiental nessas cidades, com o aumento de casos de doenças graves por intoxicação provenientes das partículas dos veículos a combustível fóssil, fizeram surgir um movimento para o uso de tecnologia na organização das cidades para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

O surgimento da Smart City (cidade inteligente) visa a dar ênfase na cidade criativa e sustentável, que faz uso de tecnologia em seu processo de planejamento com a participação dos cidadãos. Isso envolve mobilidade urbana, atendimento ao cidadão, governança, segurança, iluminação pública, tecnologia da informação e comunicação, educação, saúde pública, meio ambiente, saneamento básico, planejamento urbano, coesão social, conexões internacionais economia e empreendedorismo.

Em outras palavras, é preciso replanejar as cidades para torná-las mais humanas. Já passou há muito o tempo das cidades que cresciam desordenadamente. Nessa nova concepção de cidade, a mobilidade urbana sobre trilhos interligada a ciclovias e calçadas que permitam acesso de crianças, idosos, pessoas deficientes é um componente importante.

O meio ambiente é a preocupação central, a qualidade do ar que respiramos é essencial. Ao mesmo tempo, o tratamento de esgoto deve ser 100%para que os dejetos não sejam depositados “in natura” nos córregos e rios correndo a céu aberto contaminando tudo e a todos. O uso de tecnologia pode melhorar a coleta de lixo, transformando os lixões em usina de reciclagem e mesmo usinas de energia. As startups de tecnologia podem facilitar o acesso do cidadão às repartições públicas, diminuir as filas nos postos de saúde, melhorar a segurança pública e integrar os modais de transporte, dentre as inúmeras inovações que têm demonstrado possuir.

Não pensar dessa forma é aceitar que tudo como está é bom. É alimentar a miséria e a péssima qualidade de vida das nossas cidades, o atraso.

O VLT, portanto, representa uma alternativa inovadora de mobilidade urbana, funcionando com sucesso nas principais cidades do mundo. É um produto de alta tecnologia, indispensável nas cidades inteligentes. Já não é mais só uma ideia boa. É uma realidade, testada várias vezes no mundo afora, com sucesso.

Substituir essa proposta, que tem demonstrado econômica, inteligente e não poluente, por outras, como é o caso do que já foi aventado substituir o VLT por corredor de ônibus (ou BRT), é um atentado à nossa inteligência e um retrocesso que pode esconder interesses econômicos não confessáveis.

Cuiabá e Várzea Grande devem se unir em fóruns de planejamento participativo para redefinir o planejamento da região metropolitana e, com isso, ajudar nossa sociedade e viver o futuro com saúde, mobilidade e desenvolvimento.

VICENTE VUOLO é economista e cientista político

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