Os efeitos do clima na economia

Os danos causados pelos efeitos climáticos causam apreensões que vão além dos impactos ao meio ambiente, também atingem diretamente a economia e ganham destaque na imprensa mundial. 

A BBC de Londres reporta na versão em Português que o ‘cisne verde’ pode causar a próxima crise financeira mundial. Os cisnes verdes são eventos com potencial extremamente perturbador do ponto de vista financeiro. O conceito é muito recente, afinal, o estudo, realizado por quatro economistas – incluindo um brasileiro –, foi publicado em janeiro de 2020 pelo suíço Bank for International Settlements (BIS).  

O clima passa a ser estudado como um risco real à estabilidade financeira. A incidência de fenômenos naturais está crescendo e refletindo negativamente no desempenho econômico.  

Ainda não traduzido para o Português, o The New York Times retrata a mesma mazela do problema mundial que afetará diretamente nossa economia.  O artigo “The Science of Climate Change ExplainedFactsEvidence and Proof Definitive – Aswers to the big questions.” (A ciência da mudança climática explicou: fatos, evidências e provas – Respostas definitivas às grandes questões) grifa que a ciência da mudança climática é mais sólida e amplamente aceita do que se pode imaginar. Mas o escopo do tópico, assim como a desinformação galopante, pode tornar difícil separar o fato da ficção.   

O texto não aborda especificamente sobre o Brasil, mas causa alardes em todo o planeta ao ilustrar que as temperaturas globais médias aumentaram 2,2 graus Fahrenheit, ou 1,2 graus Celsius, desde 1880, com as maiores mudanças ocorrendo no final do século 20. As áreas terrestres aqueceram mais do que a superfície do mar e o Ártico foi o que mais aqueceu – em mais de 4 graus Fahrenheit apenas desde 1960. Os extremos de temperatura também mudaram. Nos Estados Unidos, por exemplo, as máximas recordes diárias agora superam as mínimas recordes de dois para um.  Esse aquecimento não tem precedentes na história geológica recente.  

O Cisne Verde trata sobre essa questão, mostrando como os mercados estão interligados e como um evento isolado, ou não, pode impactar o mercado financeiro num efeito cascata. A ideia é tentar prepará-lo para atuar de forma proativa, mesmo lidando com algo que não havia sido mapeado nos cenários anteriores. Todos os segmentos econômicos estão conectados, seja direta ou indiretamente.  

O desafio é que precisamos reduzir as emissões agora para evitar danos mais tarde, o que requer grandes investimentos nas próximas décadas. E quanto mais atrasarmos, mais pagaremos para cumprir as metas de Paris. O sistema econômico funciona como um organismo vivo. Todos os segmentos estão correlacionados e geram sérios reflexos uns nos outros. 

Pérsio Oliveira Landim, advogado, especialista em Direito Agrário, especialista em Gestão do Agronegócio 

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