Pandemia do novo coronavírus redefine e fortalece o simbolismo do Dia dos Pais


.

O Dia dos Pais, comemorado neste domingo (9), está sendo bem diferente para a grande maioria das pessoas que, em muitos casos, estão longe dos filhos ou dos pais, por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O distanciamento ocorre com profissionais de vários setores, mas os da área da saúde têm uma rotina mais arriscada e viram suas vidas mudarem radicalmente nos âmbitos profissional e familiar.  

O médico Bruno Ferraz, que trabalha, há três anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Pascoal Ramos e na Policlínica do bairro Pedra 90, conta que a vida mudou radicalmente desde que as pessoas começaram a ser infectadas pela Covid-19. Para ele, o momento é bem difícil tanto para o enfrentamento da pandemia quanto para a ausência e saudade de seus entes queridos. Mesmo com tantos desafios, a questão humanitária, o amor pela profissão, pelo próximo e a empatia em cada tomada de decisão o mantêm firme e com a esperança de dias melhores.

Pai de uma criança de 5 anos, uma pré-adolescente de 15 e a espera da Mariana, que se encontra ainda na barriga da mãe, Bruno explica como foram as mudanças que aconteceram no seu dia a dia. Ele explica que no início da pandemia, por trabalhar na linha de frente, quase não tinha contato com os filhos e com a esposa grávida. Isso fez com que ele dormisse em quartos separados, sem o costumeiro beijo e abraços nos filhos e esposa.

Porém, mesmo em meio a tanto zelo, acabou contraindo a doença e transmitindo para os filhos e para a esposa. “Foi um momento muito difícil da minha vida, ver minha família doente. Mas graças a Deus superamos e vencemos este vírus. Essa experiência me impulsionou cada vez mais a ajudar e entender os pacientes que chegam na unidade contaminados”, afirma Bruno.

Os novos desafios diários são grandes aprendizados, segundo Bruno, que mesmo depois que contraiu a doença continua tomando os cuidados antes de entrar em casa. O ritual de higiene começa dentro do carro, com a higienização das mãos com álcool, chegando em casa entra pela área externa, tira as roupas e vai direto para o chuveiro.

De acordo com médico, é preciso um esforço grande para vencer as complicações de conviver com as regras do distanciamento social, principalmente em relação ao pai que é idoso e que está isolado. “Tem quase três meses que não vejo meu pai, mas é necessário já que ele é do grupo de risco, daí optamos por esse isolamento total”, destaca.

Para o Dia dos Pais, o profissional da saúde destaca que será diferente do que foi planejado. Vai conversar com pai por videochamada e ficar em casa com os filhos. Ele acredita que esse cenário será passageiro e que logo as coisas devem voltar ao normal.

Ele deixa um recado para todos os pais, que esse dia possa ser um momento de reflexão, mudança e fé. “Continuemos praticando ao amor ao próximo, agindo com prudência, generosidade e responsabilidade na certeza que tudo vai passar. Feliz dia dos Pais”, finaliza.

 

Comentários Facebook