Pobreza Menstrual

Sim, precisamos falar sobre isso. A pauta do momento nas mídias é a arrecadação e distribuição de absorventes higiênicos, por conta da Pobreza Menstrual. Mas o que é Pobreza Menstrual ? E por que este assunto está sendo discutido?

O uso de absorventes higiênicos é uma forma da mulher se sentir mais segura, seca, limpa e confortável e sem a preocupação constante de que sua roupa vai estar suja a qualquer momento durante o ciclo. Por conta disso é que 50% das mulheres preferem o uso de absorventes, sendo certo que o uso deles não é apenas pelo período de fluxo menstrual, mas também por outros fatores.

A Organização das Nações Unidas – ONU, reconheceu o direito das mulheres à higiene menstrual como questão de saúde pública e de direitos humanos e estima que uma em cada dez meninas, perdem aulas quando estão menstruadas, não se sentem seguras frequentando as aulas utilizando substitutos aos absorventes e são prejudicadas ao final do ano letivo.

No sistema prisional brasileiro, a lei obriga o Estado a fornecer assistência material e de saúde às presas. Mas 60,9% delas entende que a quantidade de absorventes oferecidos é insuficiente, elas dependem dos familiares, que muitas vezes não tem condições financeiras para montar kit de higiene mês a mês e assim, 80% delas substituem o absorvente por papel higiênico (que é o produto mais utilizado), em seguida está o pano, com 27%, tecidos 24% , toalhas de papel são 23% e na falta desses itens utilizam até miolo de pão.

No Brasil, aproximadamente 1,5 milhão mulheres vivem em casas sem banheiros e cerca de 213 mil meninas que frequentam escolas, não têm banheiro em condições de uso (65% dessas garotas são negras) também utilizam os métodos de proteção menstrual acima referido (das Presidiárias) e até reutilizam absorventes, o que significa risco para a saúde, potencializando infecções (urinárias e vaginais). Para muitas meninas pedir para os pais comprarem absorventes significa diminuir itens da cesta básica.

Essa pobreza denuncia a desigualdade social. Diante disso é que devemos construir, pensar em iniciativas, campanhas, projetos que, com responsabilidade, arrecade produtos para doação, não como paliativo, mas como questão de ordem, mês a mês. Orientando para que possíveis doadores estabeleça metas de arrecadação, armazenamento e distribuição de absorventes higiênicos, que devidamente distribuídos trarão um pouco de dignidade às pessoas menos favorecidas.

Silvana Gomes Veloso é Historiadora, Bacharel em Direito e Especialista em Didática de Ensino Superior.

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