Presidente da Câmara de Várzea Grande é indiciado por esquema de venda de terrenos

O presidente da Câmara de Várzea Grande, Fábio Tardin (PSB), foi indiciado por estelionato, peculato e falsificação em um suposto esquema de registro de terrenos não legalizados. O inquérito foi concluído em 29 de julho e encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE).

Também foram indiciados o vereador Pedro Paulo Tolares (União Brasil), o filho dele, Jefferson da Silva Tolares – conhecido como “Gordinho”, o secretário municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, Breno Gomes, o empresário Carlos Henrique Morgado Rodrigues, conhecido como “Carlinhos do Gela Guela”, o inspetor de tributos municipal Freide da Costa Figueiredo, e ainda um homem identificado como José Carlos Rodrigues.

Em depoimentos à Polícia Civil, todos eles negaram participação em quaisquer atividades criminosas.

A investigação foi feita pela 1ª Delegacia de Polícia do Centro de Várzea Grande. O caso chegou a suscitar a possibilidade de que a competência para investigar fosse da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), mas o diretor-adjunto da Polícia Civil, Gianmarco Paccola Capoani, determinou que a delegacia de Várzea Grande deveria ficar com as investigações.

Por meio de uma denúncia anônima, feita em 2021, a polícia passou a investigar “a informação de que funcionários da Prefeitura Municipal de Várzea Grande estariam identificando terrenos não legalizados, registrando em seus nomes e vendendo a terceiros, perpretando, em tese, os crimes de peculato, falsificação e estelionato”.

O inquérito foi instaurado em 13 de janeiro deste ano pelo delegado Luiz Felipe Nascimento Leoni.

A denúncia anônima afirmava que os envolvidos checavam terrenos que não estavam legalizados e colocavam em seus nomes a documentação, vendendo a terceiros posteriormente.

Há, segundo a denúncia, imóveis no Jardim Glória, no Residencial Jacarandá e próximo à ponte Mário Andreazza, entre outras regiões em Várzea Grande.

De acordo com a denúncia anônima, ainda haveria participação de “Ismail que é construtor desta máfia”, mas que não foi identificado pelas investigações.

A informação enviada à polícia dava conta de que “Gordinho”, filho do vereador Pedro Paulo Tolares, teria recebido R$ 50 mil em 2 de março de 2021 em espécie. Eles estavam em um Jipe Compass, cor cinza, no Posto Zero, por volta das 17h daquele dia.

Gordinho e Carlinhos do Gela Guela teriam levado o dinheiro à Prefeitura de Várzea Grande para conversar com Freide, para repartir a quantia. Freide é coordenador do setor de IPTU da prefeitura.

Jefferson, o “Gordinho”, teria “cinco ou seis lotes que são seus, mas estão documentados em nome de terceiros, inclusive de sua mãe”, segundo a notícia enviada inicialmente à Polícia Civil.

Os envolvidos foram ouvidos em fevereiro deste ano pela delegacia de Várzea Grande. Gordinho negou ter recebido os R$ 50 mil, informou que conhecia parte dos demais suspeitos, mas também disse desconhecer qualquer tipo de esquema envolvendo a regularização de terrenos.

Agora, o inquérito foi encaminhado ao MPE, que pode decidir por novas ações ou oferecer denúncia à Justiça.

Do MidiaJur

Às 15h20 secretário Breno Gomes envia nota de esclarecimento: 

A defesa de Breno Gomes vem a público externar que o mesmo foi ouvido no inquérito policial que investiga possível crime de estelionato, falsificação e peculato, perpetrado contra proprietários de terrenos e que contaria com a participação de autoridades e servidores municipais, como testemunha, em vista de um dos servidores públicos investigados se encontrar lotado na pasta de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, da qual ele é titular.

Reafirma ainda que não conhece, nem tem participação alguma e está como autoridade pública aberto a prestar esclarecimento de qualquer natureza, relativo a sua pasta, que não lida com imóveis de terceiros ou mesmo público.

Às 18h31 vereador Fábio José Tardin envia nota de esclarecimento:

O vereador Fábio José Tardin vem a público impugnar e esclarecer os fatos que envolvem o seu nome, no que se refere ao suposto envolvimento em esquema de venda de terrenos.

Esclarece que se trata de procedimento investigatório ainda em andamento instaurado, após denúncia anônima, que demonstra pela falta de provas, reforçada por depoimentos de testemunhas que informam desconhecer os fatos, com ausência de indícios de autoria e materialidade.

Nega todos os fatos que envolvem o seu nome, registrando que, ao contrário do que foi noticiado, o mesmo sequer foi indiciado pelos fatos, sendo apontado a titulo de investigação/apuração.

Afirma que se mantém confiante na justiça, acreditando que o procedimento, caso seja submetido a autoridade judicial, será arquivado por falta de provas.

Lamenta a falta de respeito e covardia quanto a divulgação de informações pela imprensa de dados sigilosos (por lei) do inquérito, em especial, neste momento posterior ao anúncio de sua candidatura a deputado estadual, o relacionando a fatos que não possuem fundamentos, evidenciando o intuito de causar prejuízo não só a sua pessoa, como a toda população de Várzea Grande.

Informa que já está tomando as providência cabíveis para apuração do vazamento de dados junto aos órgãos responsáveis, que de direito, deveriam resguardar a integridade das informações de todos, sem distinção, já que, por lei, procedimentos desta natureza tramitam em segredo de justiça até que se tornem ação penal, fato o qual não ocorreu.

Comentários Facebook