Secretaria da Mulher realiza evento em alusão ao ‘Dia da Mulher Negra’


Vicente Aquino

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Quem nunca cirandou, teve a oportunidade de entrar nesta grande roda na tarde deste domingo (25), no Sesc Arsenal. O evento “Terezas no Jardim”, faz parte das comemorações ao dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, organizado pela Secretaria Municipal da Mulher.

De acordo com a secretária adjunta da Mulher, Elis Regina Prates, é neste mês que, anualmente, as mulheres negras e feministas unem ainda mais as forças para dar visibilidade às lutas das mulheres negras contra a opressão de gênero, a exploração e o racismo. Para Elis, esta tarde no jardim foi um momento de valorizar a cultura negra, com declamação de poemas, danças, vendas de produtos lúdicos, além de quitutes da culinária afro-brasileira.

“Desde o início pensamos em uma tarde em família em um local acolhedor, onde poderíamos contar nossa história, expressar nossas lutas e valorizar a nossa cultura. Temos as referências que são a Tereza de Benguela e Cirene Candanda, que lutaram pela igualdade racial entre todas as pessoas. Diante de toda essa representatividade, precisamos dar continuidade a esta luta tão importante”, afirma.

Para a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Fabiana Soares, é importante conhecer trajetórias como a de Tereza, para que a população negra não seja vista apenas em uma relação de subserviência da escravidão, em detrimento de histórias que também são de lutas.

“É urgente retomar essas narrativas para entendermos que não tem apenas uma Tereza de Benguela, mas existem muitas que são silenciadas todos os dias em todos os lugares, mas que mesmo assim não abaixam a cabeça e seguem em frente”, destaca Fabiana.

Segundo a jornalista e escritora, Neuza Baptista, este é o primeiro evento em 35 anos que homenageia a cultura afro, que fala da luta de Tereza de Benguela e reúne famílias em um grande jardim com uma ciranda. Ela parabenizou a secretaria por esta iniciativa e destacou a importância de celebrar este dia 25.

Luciana Zamproni, secretária Municipal da Mulher, ressaltou que a data possibilita também resgatar a história da mulher negra no Brasil. É um histórico de luta e resistência, como no período colonial, em que mulheres enfrentaram o escravismo, dirigindo insurreições, fazendo parte da direção dos quilombos, como é o caso da Tereza de Benguela. Um resgate importante, pois a mulher negra chefia famílias e garante o sustento familiar.

“Quero parabenizar as mulheres que lutam e vem conquistando seu espaço. A luta das mulheres negras, cada qual no seu tempo, é de valor imensurável pela luta da igualdade racial no Brasil e no mundo”, pontua.

A primeira-dama, Marcia Pinheiro, observa que infelizmente a sociedade brasileira ainda proporciona experiências racistas e sexistas às mulheres negras em diferentes áreas. Neste sentido, o dia 25 de julho precisa ser lembrado como uma data de luta e resistências das mulheres negras em todo o mundo.

“Essa é uma data importantíssima para reforçar em nossa cidade o legado que as mulheres negras deixaram história de luta contra a violência e pela emancipação da população negra enquanto cidadãos de direitos, uma luta que deve ser abraçada por todos nós”, finaliza.

O evento é uma parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Fórum de Mulheres Negras de Mato Grosso e Secretaria Municipal da Mulher.

Dia 25 de Julho

O Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha é celebrado em 25 de julho. A data é um símbolo de resistência das mulheres negras no continente e foi instituído em 1992 no 1º Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, que aconteceu na República Dominicana. O evento surgiu para dar visibilidade à luta das mulheres negras contra a opressão de gênero, a exploração e o racismo. No Brasil, a data homenageia a líder quilombola Tereza de Benguela, símbolo de luta e resistência do povo negro.  

Tereza de Benguela liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho. Conforme documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 indígenas. O quilombo, localizado no Vale do Guaporé (MT), resistiu da década de 1730 até o final do século XVIII. Tereza foi morta após ser capturada por soldados em 1770.

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