Superação na água! Mulheres enfrentam câncer de mama e encontram forças no remo

“Força, ação, guerreiras do Dragão Rosa!”. O grito de guerra, entoado sem nenhuma intenção de batalha real, ajuda a compor o cenário bem-humorado na raia olímpica da Universidade de São Paulo durante as manhãs de terça e quinta-feira, momento em que acontecem as aulas de remo do projeto Remama

mulheres em barco em forma de dragão chinês arrow-options
Nathallia Fonseca/iG

Desde 2013, o Remama acelera a reabilitação de mulheres com câncer de mama

Criado em 2013, o programa acelera a reabilitação e promove a qualidade de vida de mulheres que convivem com o câncer de mama. “Quatro anos após a descoberta do tumor eu ainda achava que não poderia pegar peso ou fazer exercícios físicos. Quando descobri o Remama, num anúncio na internet, fiquei encantada com a possibilidade de aprender um esporte ”, comenta Marilene da Silva, de 62 anos. 

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A crença de que pessoas com câncer devem seguir em repouso mesmo após a estabilização da doença é comum, mas não poderia estar mais errada. De acordo com recomendação da Organização Mundial de Saúde, os exercícios físicos são fundamentais para essas pacientes, interferindo na resistência física e motora, imunidade e até autoestima. 

Realizado pelo Icesp em parceria com a Rede de Reabilitação Lucy Montoro e com o Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (Cepeusp), o Remama possui poucas contraindicações. Via de regra, podem participar as pacientes que estão na etapa de reabilitação e já passaram pelos processos de tratamento, como quimioterapia e radioterapia.

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Mulheres participam do projeto Remama arrow-options
Nathallia Fonseca/iG

Regra do projeto Remama é manter sempre o alto astral, dentro e fora do barco

“Para começar as atividades, elas precisam passar por uma avaliação física e, depois disso, há um treinamento em remo ergonômico antes de elas passarem para a água”, explica a idealizadora do projeto e coordenadora médica do serviço, Christina May Moran. Ela, porém, acrescenta que o procedimento é comum entre pessoas que iniciam um exercício novo, independente de qualquer diagnóstico.

“Quando finalmente me inscrevi no projeto e passei pela fase de treinamento, parecia que eu estava prestando um vestibular. Fiquei nervosa, ansiosa para começar logo”, recorda Marilene, sem tirar os olhos da raia olímpica. “A coisa mais valiosa que o remo me ensinou foi que eu adoro remar!”, diz. 

Remama arrow-options
Nathallia Fonseca/iG

Praticar atividades física ajuda na recuperação de pacientes com câncer

Único programa dessa natureza no Brasil, o Remama acompanha um projeto mundial de superação da doença através do esporte. “Qualquer atividade física feita com acompanhamento e responsabilidade é válida, mas o remo, além de passar essa imagem de força e essa energia que é muito bonita, promove a interação entre elas”, acrescenta Christina. 

Durante a aula prática, feita no barco de 20 lugares apelidado de “Dragão Rosa”, a principal regra é o alto astral. Além da tradicional contagem de remadas para não perder o ritmo – orientado pelos instrutores que ficam de olho na postura e velocidade dos movimentos  – as mulheres cantam, brincam e demonstram o enorme entrosamento do grupo. “Se desalinhar o barco não anda”, dizem. 

Para se inscrever no  Remama , que é gratuito, é necessário aguardar o período de matrículas, que costuma acontecer no mês de agosto. Atualmente, o programa conta com pouco mais de 20 vagas, mas esse número deve aumentar. 

Fonte: IG Saúde
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