Vacina traz otimismo, mas janeiro “está muito longe”, diz Dimas Covas


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Dimas Covas%2C diretor do Instituto Butantan
Governo do Estado de São Paulo

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan

O diretor do Instituto Butantan , Dimas Covas , disse nesta segunda-feira (3) que a perspectiva para a vacina contra a Covid-19 produzida em parceria com a empresa chinesa Sinovac Biotech é “boa”, mas que janeiro ainda “está muito longe”. Em entrevista à CNN Brasil , ele disse que, por conta desse tempo de espera até que o imunizante fique pronto, é importante que a população continue mantendo as medidas de prevenção.

“Se os resultados [dos testes em voluntários] aparecerem ainda neste ano, é muito provável — sou muito otimista — que nós tenhamos essa vacina já em janeiro ou fevereiro do próximo ano”, disse o hematologista. “É uma perspectiva muito boa, mas temos que lembrar que janeiro ainda está muito longe”, completou.

Chamada de Coronavac, a vacina está na fase final dos testes pré-clínicos, na qual 9 mil volunetários recebem doses e são monitorados para ver quais são as reações. Nessa fase, o objetivo é simular como uma pessoa imunizada se comporta em um meio onde o vírus circula naturalmente.

Covas ainda lembrou que a CoronaVac, como é chamada, já demonstrou efetividade em torno de 90% em estudos anteriores, o que é um bom indício. Os primeiros resultados sobre a eficácia da vacina após a fase três devem sair em outubro.

“A partir daí, trata-se de registrar e usar a vacina. Ela estará disponível aqui no Butantan para produção em larga escala a partir de outubro. Nós temos uma previsão inicial de 60 milhões de doses e, se for comprovada essa eficácia, essas doses poderão ser aplicadas a partir de janeiro do próximo ano”, afirmou.

O diretor do Instituto Butantan também disse que não teme problemas de logística ou de falta de insumos como seringas, o que poderia prejudicar a distribuição da vacina no Brasil. Ele reconhece que esse risco existe, mas confia na experiência do País  e do próprio Butantan.

“Essa vacina tem uma característica: ela é baseada em um processo produtivo que o Butantan domina. O Butantan conhece os fornecedores, tem experiência, tem conhecimento dos equipamentos que são usados… Ou seja, não é um processo novo. Como eu digo sempre, o Butantan tem a cozinha, tem o forno, tem a panela. Neste momento, estamos testando a fórmula, a receita de bolo.”

Enquanto a vacina não é liberada, Dimas Covas reforçou a necessidade de se respeitar o distanciamento social, as medidas de higiene e o uso da máscara.

“Nós estamos no meio da epidemia, então o distanciamento social tem que ser mantido, sim. Se há necessidade de uma flexibilização maior em certos setores, isso não pode abolir as medidas de quarentena. Nós temos que ter consciência e manter essas medidas enquanto a epidemia não desaparecer ou enquanto, de fato, não chegar a vacina”, alertou.

Fonte: IG SAÚDE

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