Vale a pena deixar o MMA competitivo de lado para focar no espetáculo?

Michel ‘Demolidor’ Pereira em mais uma de suas acrobacias. Ele perdeu no UFC Canadá arrow-options
MMAFIGHT/REPRODUÇÃO

Michel ‘Demolidor’ Pereira em mais uma de suas acrobacias. Ele perdeu no UFC Canadá

Até que ponto vale a pena deixar de lado o pragmatismo em uma competição para focar no entretenimento do público? Em toda a história do MMA , não são poucos os casos de lutadores que priorizaram o espetáculo show para a torcida e acabaram derrotados por adversários, em teoria, inferiores. Alguns até danificaram ou comprometeram carreiras que poderiam ter sido ainda melhores por se expor ao extremo.

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O caso mais recente ocorreu no último sábado (14), quando o brasileiro Michel ‘Demolidor’ Pereira – após um primeiro round onde buscou soltar seu jogo agressivo e plasticamente agradável para os fãs – acabou cansando à partir do segundo assalto e foi derrotado por Tristan Connelly, no UFC Canadá.

Obviamente, como o próprio Michel admitiu após o evento em entrevista exclusiva à Ag. Fight, os problemas com a perda de peso, que o fizeram exceder o limite da categoria meio-médio (77 kg) na pesagem oficial do evento, influenciaram em sua queda de rendimento no decorrer do combate.

Porém, é exatamente por estar ciente das dificuldades enfrentadas durante o corte de peso que o brasileiro deveria ter considerado modificar um pouco seu estilo e diminuir seu ímpeto inicial, visando manter-se fisicamente bem para os três rounds combinados para o confronto.

É certo que a noção de ‘proporcionar um show para o público’ não é excludente da ideia de vencer combates, mas, como tudo na vida, é preciso utilizar o bom senso e encontrar um equilíbrio para que o bem intencionado modo de lutar não atrapalhe a carreira do atleta. O MMA é negócio e entretenimento, mas ele é também, ainda, não deixou de ser um esporte, onde o objetivo final deveria ser a vitória a qualquer custo.

Em seu auge, Anderson Silva – do qual Michel é fã declarado e busca seguir o legado – não só ganhava como empolgava o público na maioria de suas apresentações. Além de ser um dos melhores lutadores de MMA de todos os tempos, o ‘Spider’ sabia exatamente contra quem e em quais momentos poderia utilizar seus golpes criativos e inovadores, sem colocar em risco sua vitória.

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Por outro lado, outros grandes do MMA não souberam equilibrar a vontade de fazer uma grande apresentação com a necessidade imposta em alguns combates de lutar de forma mais tática. Ainda próximo de seu auge quando retornou ao UFC, em 2007, após passagem gloriosa pelo extinto Pride FC, Wanderlei Silva – um dos maiores showman da história do esporte – viu seu legado ser afetado por algumas derrotas inesperadas.

Talvez, o paranaense tivesse melhor sorte se soubesse dosar um pouco seu instinto de aceitar a trocação franca e aberta contra qualquer adversário, não se importando com a possibilidade de ser derrubado por um golpe.

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UFC/Divulgação

Michel ‘Demolidor’ Pereira em mais uma de suas acrobacias. Ele perdeu no UFC Canadá

Wanderlei, obviamente, ainda é considerado um dos grandes da história do esporte por todas as suas conquistas e lutas memoráveis. No entanto, podemos especular se ele não ocuparia um lugar ainda mais importante no MMA caso tivesse encontrado o equilíbrio entre o estilo agressivo e a busca pelo resultado durante sua passagem no UFC .

Ao final, este texto não tem como objetivo criticar os talentosos atletas que buscam sair do trivial feito pela maioria dos colegas de profissão e entreter os fãs, mas, sim, questionar se vale a pena colocar em risco uma luta ou uma carreira, em todos os momentos, pelo radicalismo de um pensamento.

Michel ‘Demolidor’ já demonstrou que tem talento de sobra para ganhar proporcionando um grande espetáculo ao público. Agora, ele precisa provar que pode encontrar o balanço ideal, quando necessário, entre o show e o pragmatismo de uma luta mais tática para crescer dentro da organização em busca de algo maior do que ser ‘apenas’ o ‘lutador acrobata’.

Fonte: IG Esportes
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