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A Justiça que os números revelam
Por Jaqueline Cherulli*
Em tempos em que opiniões se propagam com rapidez e as percepções, muitas vezes, sobrepõem-se aos fatos, considero importante olhar para um elemento que não admite interpretações: os números. Eles revelam, com objetividade, a dimensão do trabalho realizado diariamente pela magistratura brasileira e ajudam a compreender por que o fortalecimento do Poder Judiciário interessa diretamente à sociedade.
Dados do Conselho Nacional de Justiça demonstram que, apenas em 2025, o Judiciário brasileiro baixou 45,2 milhões de processos, alcançando crescimento de 19,9% na produtividade em relação ao ano anterior. Cada magistrado brasileiro respondeu, em média, por 2.389 processos baixados, enquanto a capacidade de julgamento superou o ingresso de novas ações, permitindo, inclusive, a redução do acervo processual.
Esses resultados representam eficiência administrativa e traduzem o compromisso permanente de homens e mulheres que, diariamente, garantem que conflitos sejam solucionados, direitos protegidos e a Constituição aplicada de forma imparcial. Cada processo julgado significa uma família que aguarda uma resposta, uma empresa que busca segurança jurídica, um cidadão que deposita sua confiança no Estado para resolver um conflito.
Em Mato Grosso, essa realidade também se confirma. No último ano, o Poder Judiciário recebeu mais de 645 mil novos processos e julgou mais de 709 mil ações, produzindo mais decisões do que demandas recebidas. Por trás desses números existe uma magistratura que enfrenta uma carga média superior a dois mil processos por juiz, realidade que exige dedicação integral, elevado preparo técnico e permanente responsabilidade institucional.
Não por acaso, o presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Edson Fachin, sintetizou essa realidade ao afirmar: “As juízas e os juízes julgaram um número de processos sem paralelo: 45,2 milhões de processos foram baixados em 2025. É uma produtividade incomparável, notável e digna de todo o reconhecimento.”
Quando se fala em valorização da magistratura, portanto, não se está tratando de um interesse corporativo. Fala-se das condições necessárias para que essa capacidade de resposta continue existindo. Um Poder Judiciário submetido a cargas crescentes de trabalho, com demandas cada vez mais complexas e de enorme impacto social, precisa preservar sua capacidade de atrair, manter e valorizar profissionais altamente qualificados e comprometidos com sua missão constitucional.
A independência judicial, as prerrogativas da magistratura e a valorização da carreira não existem para beneficiar juízes.
Elas existem para proteger a sociedade. Um magistrado independente decide conforme a Constituição, e não conforme pressões políticas, econômicas ou circunstanciais. Essa é uma garantia do cidadão.
Vivemos em um país onde o Poder Judiciário permanece acessível a todos. A elevada litigiosidade brasileira demonstra que a população continua recorrendo à Justiça como espaço legítimo para a solução de conflitos. Esse dado, por si só, representa uma demonstração de confiança institucional que precisa ser preservada.
Naturalmente, nenhuma instituição é imune a desafios. O próprio sistema de controle do Poder Judiciário evoluiu significativamente nas últimas décadas, tornando-se mais transparente e eficiente. Entretanto, episódios isolados jamais podem obscurecer o trabalho silencioso realizado diariamente por milhares de magistrados que cumprem sua missão com independência, equilíbrio e profundo compromisso público.
Fortalecer a magistratura significa fortalecer a segurança jurídica, estimular o desenvolvimento econômico, proteger direitos fundamentais e consolidar a democracia. Afinal, onde há direitos, haverá um juiz para garanti-los. E por trás de cada decisão existe um compromisso permanente com a Constituição e com a sociedade brasileira.
*Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli é presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) e Subcoordenadora da Justiça Estadual da Associação Brasileira de Magistrados (AMB).
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