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Casal paga R$ 155 mil por GAC em concessionária de MT, não recebe veículo e denuncia vendedor à polícia

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Um casal de aposentados de Cuiabá afirma ter pago R$ 154.990 por um GAC GS4 Premium zero quilômetro em uma concessionária de Várzea Grande, na região metropolitana, e não ter recebido o veículo nem a devolução do dinheiro. O vendedor responsável pela negociação, Douglas Alexandre de Paula Tonholo, é investigado pela Polícia Civil por suspeita de estelionato.

O caso envolve a Gemini Motors Ltda., responsável pela concessionária GAC pertencente ao Grupo Canopus, e também é discutido na Justiça. O Atualiza Aí MT teve acesso ao boletim de ocorrência registrado pelos consumidores, documentos relacionados à negociação, depoimento prestado por um gerente da concessionária à Polícia Civil e processos judiciais relacionados ao caso.

Segundo a documentação apresentada pelos compradores, a negociação começou dentro da própria concessionária e foi conduzida por meio de canais utilizados no atendimento comercial. O primeiro pagamento, de R$ 1 mil, foi feito para uma conta da Gemini Motors.

Negociação começou na concessionária

R.O., pessoa com deficiência, pretendia adquirir o veículo por meio do programa de venda direta destinado ao público PCD. Conforme o relato registrado no boletim de ocorrência, o casal, que afirma ser cliente do Grupo Canopus desde 2018, procurou a unidade da GAC localizada na Avenida da FEB, em Várzea Grande.

De acordo com os documentos, o atendimento começou em 6 de julho, quando Douglas Tonholo teria recebido documentos dos compradores e encaminhado, pelo WhatsApp utilizado durante a negociação, um link para o pagamento do sinal.

O valor de R$ 1 mil foi pago à Gemini Motors. A documentação do caso indica que a própria empresa reconheceu o recebimento dessa quantia.

Nas semanas seguintes, o vendedor continuou mantendo contato com os consumidores. Em 18 de agosto, segundo as mensagens apresentadas no processo, ele informou que o veículo havia sido faturado e que seria necessário quitar o restante da compra.

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O casal afirma ter efetuado então o pagamento de R$ 153.990, utilizando recursos provenientes da venda do veículo anterior e das economias da família.

“O carro chega dia 4”

Após o pagamento integral, segundo as mensagens apresentadas pelos consumidores, Douglas informou que o veículo havia sido embarcado em São Paulo e que chegaria a Várzea Grande entre os dias 3 e 4 de setembro.

Ainda conforme os compradores, o vendedor passou a marcar e desmarcar encontros na concessionária, alegando estar realizando “vendas externas”.

No dia 4 de setembro, ele teria enviado uma mensagem informando que estava a caminho da loja.

Quando chegaram à concessionária, porém, os consumidores afirmam que descobriram que o vendedor não estava trabalhando no local naquele período.

Conforme os documentos do caso, Douglas havia entrado de férias anteriormente e não teria retornado ao trabalho. A empresa também teria encaminhado a ele um telegrama relacionado ao vínculo empregatício, com advertência sobre eventual caracterização de abandono de emprego.

O casal afirma que não foi informado pela concessionária sobre a situação funcional do vendedor nem sobre qualquer problema relacionado à negociação.

Pedido não aparecia no sistema, segundo consumidores

Na concessionária, os compradores buscaram informações sobre o veículo. Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, o gerente regional informou que não havia pedido do automóvel registrado no sistema.

Os consumidores então tentaram novamente contato com Douglas. Segundo eles, o telefone estava desligado e as mensagens deixaram de ser respondidas.

O veículo, que havia sido apresentado pelo vendedor como faturado e em transporte para Mato Grosso, não foi entregue.

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Gerente relata reclamações anteriores

Um dos pontos que constam na documentação é o depoimento prestado pelo gerente regional da GAC à Polícia Civil em 14 de setembro e posteriormente juntado ao processo judicial.

Segundo o representante da concessionária, a empresa já havia recebido informações sobre outras reclamações envolvendo Douglas Tonholo antes do episódio relatado pelo casal.

Ainda de acordo com o depoimento, em situações anteriores teriam ocorrido pagamentos de clientes diretamente ao vendedor. Um desses casos, segundo o gerente, teria sido solucionado internamente com a entrega de um veículo seminovo ao consumidor.

Outro episódio, iniciado em abril deste ano, resultou em uma ação judicial que tramita na 2ª Vara Cível de Várzea Grande, sob o processo nº 1032007-34.2026.8.11.0002, envolvendo a Gemini Motors e Douglas Tonholo.

As informações sobre esses episódios constam do depoimento prestado pelo gerente e dos documentos judiciais relacionados aos casos.

Casal tentou resolver o caso antes de ir à Justiça

Depois de constatarem que o veículo não havia sido entregue, os compradores encaminharam notificações extrajudiciais ao gerente regional. Eles solicitaram a entrega do automóvel ou a restituição dos R$ 154.990 pagos.

Segundo os consumidores, não houve solução para o caso.

A reclamação também foi encaminhada ao Procon-MT.

No boletim de ocorrência, o casal afirma que confiou na negociação porque ela ocorreu dentro da concessionária e porque o vendedor se apresentava como funcionário da empresa.

“Confiamos na marca, no grupo e na loja. Ele estava de uniforme, dentro da concessionária, e o sinal foi pago para a empresa”, relatam os consumidores no registro policial.

Os compradores também afirmam que R.O. passou a necessitar de acompanhamento médico após o episódio.

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Caso tramita na Justiça

Sem acordo, o casal ingressou com uma ação na 4ª Vara Cível de Cuiabá. No processo, os consumidores pedem a entrega do veículo ou a devolução integral dos R$ 154.990 pagos, além de indenização por danos morais.

Até o momento, não há decisão definitiva sobre o mérito da ação.

Entre os argumentos apresentados pelos consumidores está a alegação de responsabilidade da empresa pelos atos praticados por seus prepostos. Eles também citam o artigo 34 do Código de Defesa do Consumidor, que prevê responsabilidade do fornecedor pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos.

A existência da ação judicial, entretanto, não significa que a Justiça tenha reconhecido, de forma definitiva, responsabilidade da Gemini Motors ou de Douglas Tonholo pelos fatos narrados.

Da mesma forma, a investigação policial não representa, por si só, condenação ou reconhecimento judicial da prática de estelionato. As circunstâncias e eventuais responsabilidades ainda deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.

Outro processo envolve vendedor e concessionária

Além da ação movida pelo casal, existe o processo nº 1032007-34.2026.8.11.0002, em tramitação na 2ª Vara Cível de Várzea Grande, no qual Gemini Motors e Douglas Tonholo também figuram como partes.

O processo foi mencionado pelo gerente regional no depoimento prestado à Polícia Civil como uma das reclamações anteriores relacionadas ao vendedor.

A reportagem do Atualiza Aí MT consultou os documentos disponíveis e procurou separar as alegações apresentadas pelos consumidores, as informações prestadas pelo representante da concessionária à Polícia Civil e aquilo que já foi efetivamente analisado ou decidido pela Justiça.

 

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